Moulin Rouge – Amor em Vermelho: a espetacular injustiça

30 11 2009

Uma das melhores obras dos últimos tempos foi praticamente ignorada pela academia em 2002

Por Rodrigo Gianesi

Eu, particularmente, não gostava muito de musicais até assistir “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”. O filme de Baz Luhrmann mudou completamente meu conceito sobre musicais e me deixou mais aberto para esse tipo de filme, que passei a adorar. O filme conta uma das mais belas histórias de amor já vistas no cinema, foge completamente do que se espera de um filme hollywoodiano, com um roteiro quase revolucionário, longe da intenção de agradar a grande massa. O musical foi completamente injustiçado pela Academia no Oscar de 2002, ganhando apenas o prêmio de melhor direção de arte e de melhor figurino. Perdeu o prêmio de melhor filme para “Uma Mente Brilhante”, filme mais fácil de ser “digerido” pela grande massa por ser mais convencional e conservador, e nem sequer concorreu à melhor trilha sonora, canção original (uma triste injustiça com a maravilhosa “Come What May”) e direção.

"Spetacular, Spetacular"

Moulin Rouge” conta a história de Christian (Ewan McGregor), um poeta boêmio que acredita, acima de tudo, no amor. O poeta se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã do Moulin Rouge, um clube noturno e bordel de Paris. Como qualquer boa história amor que se preze, os dois enfrentam obstáculos para poderem ficar juntos. Harold Zidler (Jim Broadbent), dono do Moulin Rouge, recebe o patrocínio de um duque (Richard Roxburgh) para produzir uma peça teatral no clube (“Spetacular, Spetacular“, escrita por Christian e estrelada por Satine). A condição que o duque impõe, porém, é que Satine seja dele, e apenas dele. Caso contrário, a propriedade do bordel passaria para o Duque. Com esses empecilhos, Christian e Satine têm de esconder seu romance, genialmente inserido disfarçadamente na peça em questão.

Mesmo com o grande número de músicas no filme, elas não o tornam cansativo, como acontece com muitos musicais. A grande sacada de Luhrmann foi de utilizar obras que variam entre músicas atuais e obras mais antigas ao invés de apenas compor novas canções, com exceção de poucas, como a já mencionada “Come What May”.

Química entre Nicole Kidman e Ewan McGregor é perfeita

A sintonia entre McGregor e Nicole Kidman é inexplicável. Em nenhuma cena a relação dos dois parece forçada ou piegas. As cenas do casal são muito naturais, apesar da intensidade dos sentimentos envolvidos nelas. Grande destaque para a maravilhosa (e triste) cena final do filme. A frase de Christian, “Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão pelo amor”, dirigida à Satine, deitada no chão, rebaixada e chorando, arrepia até as pessoas mais insensíveis.

Além das ótimas atuações de Ewan McGregor e Nicole Kidman (que, mais uma vez, se mostraram grandes atores, versáteis e intensos), os donos de papéis secundários também se destacam. Broadbent encarna fervorosamente o papel do cafetão, enquanto Roxburgh faz uma ótima atuação, deixando o ódio e o ciúme do Duque bem claro e de um jeito que, de certa forma, é ridículo.
Um roteiro com reviravoltas emocionantes, repleto de canções marcantes e que transborda sentimentos, desde a paixão até o ódio e o desprezo, fazem este trabalho de Baz Luhrmann uma das mais espetaculares produções dos últimos tempos. Uma prova de que ainda existe criatividade e genialidade na indústria de Hollywood.

Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!): 2001, Austrália, EUA. Direção: Baz Luhrmann. Elenco: Ewan McGregor, Nicole Kidman, Jim Broadbent, Richard Roxburgh. Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce. Duração: 127 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Ronnie Romanini [10]

Média parcial: [10]





Os Infiltrados: A (in) Justiça de Scorsese

26 11 2009

Grande elenco e roteiro agitado são os pontos fortes do filme de Scorsese

Por Paulo do Valle

“Um bom filme começa pelo seu elenco”. Se Levarmos em conta essa frase, Os Infiltrados pode ser considerado um excelente filme só pelo seu time de atores: Jack Nicholson, Leo DiCaprio, Matt Damon e a frieza de Mark Wahlberg fazem desse filme uma sangrenta obra de arte do Século XXI. Tudo isso somado à genialidade do diretor Martin Scorsese, o ex- injustiçado do Oscar, que graças a essa obra teve sua redenção e levou a estatueta de melhor filme para sua estante.

Frank Costello (Nicholson), é um típico mafioso dos tempos atuais. Irlandês vivendo em Boston (USA), Costello praticamente comanda o crime organizado da cidade. Com isso se torna inimigo número um da policia estadual. É ai que começa o jogo de gato e rato.

Querendo estar sempre um passo à frente da lei, o mafioso infiltra seu pupilo Colin Sullivan (Damon) dentro da policia. Por ter um ótimo desempenho e ser acima de qualquer suspeita, o rapaz sobe rápido de cargo e logo se encontra dentro da unidade de investigações especiais, que é justamente onde se encontra o caso de Frank Costello. Mas o que eles não contavam é que existe o outro lado da moeda (aí sim, fomos surpreendidos novamente), é quando entra o desacreditado Billy Costigan (DiCaprio), sem muito destaque na polícia e uma família com o nome sujo na praça, o rapaz é submetido a ser o infiltrado do lado policial no mundo do crime. Para que isso ocorra de uma forma perfeita, Costigan é dado como expulso da polícia e preso. O segredo é mantido a sete chaves  pelos policiais Digman (Wahlberg) e seu superior Capitão Queenan (Martin Sheen), que são os líderes da operação para prender Costello. Não demora muito para que o rapaz consiga entrar no mundo do crime. Graças ao seu primo, um traficante pequeno, Costigan é introduzido ao submundo e rapidamente chega a Costello (em uma sequência  que dói até em quem está assistindo, o mafioso, tenta pela dor física, descobrir se  Costigan é um infiltrado da polícia). Assim, ambos os lados percebem a existência de informantes agindo por ali. Com isso, o filme torna-se eletrizante, chegando muitas vezes beirar o imprevisível.

A vida dos dois rapazes é cheia de coincidências  e cruzamentos. Uma delas (inútil aos olhos do filme) , Sullivan e Costigan são apaixonados pela mesma mulher, a psicóloga da policia Madolyn (Vera Farmiga). O chifre no caso fica por conta do personagem de Damon. Em uma sequência  de tirar o fôlego, Billy consegue descobrir onde Costello vai encontrar-se com o seu informante. Chegando ao local (pasmem, um cinema pornô), Costigan  consegue encontrar os dois, mas não consegue ver a cara do outro infiltrado que, ao perceber que está sendo seguido, foge dando sequência a uma ótima cena do filme. Até o seu final o filme reserva boas emoções e surpresas para quem o assiste.

Com um desfecho surpreendente, é um ótimo exemplo do ditado ‘’ Jogar merda no ventilador’’. Scorsese apostou principalmente na força de seus protagonistas. Em mais uma atuação típica de Nicholson, beirando o sinistro e o cômico (assim como em Batman e O Iluminado) . E principalmente em DiCaprio, seu queridinho. Vale ressaltar também a excelente atuação de Mark Wahlberg, que mesmo não sendo um dos protagonistas, da vida à um corrosivo policial de mal com a vida.

Inspirado em Conflitos Internos, um filme policial de Hong Kong. Os Infiltrados pode ser considerado um clássico gangster do Séc XXI que deu a Scorsese (mesmo em meio a protestos a favor de A Pequena Miss Sunshine), um lugar ao sol entre os diretores que já levaram o tão cobiçado Oscar. Além de melhor diretor, levou para casa também como melhor filme, melhor montagem e melhor roteiro adaptado.

Com uma trilha sonora tão violenta quanto o filme ( De Stones passando por Beach boys até chegar na pesada gaita de foles do Dropkick Murphys) Os Infiltrados marca seu nome no cinema gângster mundial.

Os Infiltrados ( The Departed): 2006, EUA. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga. Roteiro: Siu Fai Mak e Felix Chong. Duração: 149 min.

Notas:

Paulo do Valle [7.5] Ronnie Romanini [7.5]

Média parcial: [7.5]





Candy: paraíso, terra, inferno

24 11 2009

Candy narra a história de um casal que têm suas vidas estragadas pelo vício que os dois têm em comum: a heroína

Por Ronnie Romanini

Dividido em três partes (Paraíso, Terra e Inferno), Candy fala sobre o relacionamento de Candy (Abbie Cornish) com Dan (Heath Ledger) e o de ambos com a heroína, traçando um paralelo interessante entre essas três partes com os três estágios que passa um usuário da droga.

Começando pelo “Paraíso”, o filme mostra o início do relacionamento entre os dois jovens artistas (ela uma aspirante a pintora e ele a poeta). Enquanto Dan não tem uma família por trás, sendo sozinho no mundo, Candy tem toda a superproteção que seus pais, de classe média-alta, podem dar. É quando Candy decide experimentar a heroína que Dan já usava que as coisas começam a mudar na vida de ambos, até então dois jovens promissores em suas carreiras e apaixonados. Essa primeira parte tem seu foco nos efeitos alucinógenos da droga e na sensação de felicidade momentânea que ela traz. Ambos estão felizes e a necessidade cada vez maior de se virar com o pouco dinheiro que possuem, realizando pequenos furtos, parece empolgá-los. É nessa parte que surge Casper (Geoffrey Rush). Professor de Química que usa seu laboratório para produzir drogas e considerado por Dan como um pai que todo mundo gostaria de ter, Casper é quem financia os dois no início, sempre emprestando dinheiro a Dan e às vezes fornecendo a droga ou usando junto.

A situação começa a mudar quando a falta de dinheiro torna-se um problema muito maior do que ambos consideravam. Nessa parte, “Terra”, o filme passa a ser cru e realista, à medida em que retrata a humilhação pela qual Dan e Candy começam a passar em troca do dinheiro para conseguir a droga. Os dois deixam o orgulho de lado e passam a fazer coisas inimagináveis até então, mas que se tornam totalmente naturais em decorrência da necessidade de usar a droga. Dan encara com naturalidade (ou ao menos finge tal naturalidade para não ter que se preocupar com o problema) a solução encontrada por Candy para conseguir o dinheiro.

A terceira parte do filme mostra o “Inferno”. Um acontecimento na vida do casal faz com que eles decidam parar de usar a droga e isolem-se num quarto, com apenas um colchão e uma televisão. Mostrando dia a dia a abstinência da heroína, essa parte torna-se perturbadora e chocante principalmente pela atuação de Abbie Cornish e Heath Ledger que brilham retratando o efeito biológico e psicólogico que a falta da droga causa. A cena em que ambos estão no hospital é estarrecedora.

Longe de ser uma glamourização das drogas, o aspecto negativo do filme reside apenas na comparação com outros filmes que tratam do mesmo assunto. Candy não tem a direção ousada e inovadora de Réquiem para um Sonho e nem é um filme tão original e completo como Trainspotting – Sem Limites. Muito graças ao trio principal de atores (Geoffrey Rush e Heath Ledger estão ótimos como sempre e Abbie Cornish é uma belíssima surpresa, chocando pela força que dá à personagem), Candy trata-se de um bom e triste filme sobre como a dependência química faz o usuário perder qualquer dignidade ou valor pré-concebido.

Candy (Candy): 2006, Austrália. Direção: Neil Armfield. Elenco: Abbie Cornish, Heath Ledger, Geoffrey Rush, Noni Hazlehurst, Tony Martin. Roteiro: Neil Armfield e Luke Davies. Duração: 116 min.

Notas:

Ronnie Romanini [7.5] Rodrigo Gianesi [7.5] Paulo do Valle [10]

Nossa média: [8.3]





Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças: impossível esquecer

23 11 2009

Com um roteiro espetacular e atuações fantásticas, o filme mostra as lembranças que um homem pensa que quer esquecer

Por Rodrigo Gianesi

Você apagaria alguém e qualquer coisa que você viveu ao lado dessa pessoa de sua memória? O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças explora essa pergunta. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formam um casal de pessoas que não têm nada em comum, algo normal em vários filmes de romance. Porém, a abordagem deste filme dirigido por Michel Gondry é completamente diferente e intrigante.

Joel é tímido e metódico, enquanto Clementine é extrovertida, diferente e completamente impulsiva. Essa sua última característica a leva a, após terminar seu relacionamento com Joel, procurar a Lacuna INC., uma clínica que oferece um tratamento peculiar: apagar pessoas da mente de outras. Ao descobrir que sua ex-namorada o apagou de sua memória, Joel vê o mundo desabar, e, em um momento de desespero, procura o mesmo tratamento. Durante o procedimento, no qual os técnicos vasculham o cérebro do paciente apagando memória por memória, Joel vê todos os momentos em que passou ao lado de sua namorada, se arrepende de sua escolha e tenta voltar atrás, se escondendo em lugares remotos de suas lembranças.

Filme conta com grande elenco, com Jim Carrey, Kate Winslet, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood

Em mais um roteiro alucinante de Charlie Kaufman (que escreveu também Quero Ser John Malkovich), o filme vai e volta no tempo através das lembranças de Joel com interpretações fantásticas, não só dos protagonistas Jim Carrey (que provou, mais uma vez, que não é apenas um ótimo comediante, mas um ator excelente e versátil) e Kate Winslet, mas também boas atuações de todos os atores que compõem esse ótimo elenco, que conta com Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é uma história linda que mostra que, não importa o que você faça, você não pode esquecer um amor. Ao ver o filme me lembro de uma frase de Nelson Rodrigues: “Todo amor é eterno. Se acabou, não era amor”.

Antes de responder a pergunta feita no começo deste texto, assista ao filme, e você perceberá que, não importa quão dolorosa tenha sido a separação, um amor nunca deve ser esquecido.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind): 2004, EUA. Direção: Michel Gondry. Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst, Elijah Wood. Roteiro: Charlie Kaufman, Michel Gondry, Pierre Bismuth. Duração: 108 minutos.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Ronnie Romanini [10] Paulo do Valle [9.5]

Nossa média: [9.8]





(500) Dias Com Ela: um oásis no deserto

21 11 2009

(500) Dias Com Ela é um sopro de originalidade e criatividade num meio já saturado.

Por Ronnie Romanini

We Don’t Make Fancy Quality. We Make True Everyday Quality“. Em dado momento do filme, após uma cena alegre entre Summer (Zooey Deschanel) e Tom (Joseph Gordon-Levitt), podemos ver uma placa com esses dizeres como que antecipando o que estava por vir.

O diretor Marc Webb, em seu primeiro longa, acerta ao fazer um filme inovador em um meio onde o que mais há são clichês. Em (500) Dias Com Ela, Webb recicla os inevitáveis clichês, transformando-os em algo real e possível de acontecer com qualquer um de nós.

Summer é uma garota que não acredita no amor. “Isso é uma fantasia”, diz ela na primeira conversa mais longa com Tom. Este, ao contrário, é uma pessoa que acredita em amor, alma-gêmea, destino e todas as coisas que normalmente as meninas são quem acreditam. Tom, que supervaloriza o amor, apaixona-se por Summer, que o subestima. Com uma premissa dessas, não estarei estragando nenhuma surpresa se disser que o relacionamento não dará certo.

O filme tem seu foco nos 500 dias de (não-)relacionamento entre Tom e Summer, mostrando seu início, meio e fim de forma não-cronológica, como se o filme nada mais fosse do que a mente de Tom relembrando vários momentos com Summer de forma totalmente aleatória.

Com diálogos espirituosos e cheios de referência à cultura pop (há uma conversa onde uma personagem descreve um rapaz como se tivesse a cara do Brad Pitt e o abdômen de Jesus), Marc Webb monta um filme onde cada diálogo não é mera conversa jogada fora, cada palavra trocada tem seu significado na vida das personagens e no contexto do filme. Há uma sequência onde Tom, em seu lugar favorito, fala sobre a arquitetura da cidade e diz que, se há algo bonito, devemos ressaltá-lo, e não escondê-lo. E é exatamente isso que Marc faz com a atriz Zooey Deschanel. Summer não aparece no filme sem que haja alguma peça azul a acompanhando e realçando seus olhos. Na melhor sequência do filme, Tom sai pelas ruas dançando completamente apaixonado e todas as pessoas que interagem com ele vestem roupas azuis.

Também digna de elogios é a cena onde Tom vai a uma festa dada por Summer e a tela se divide entre Realidade e Expectativa.

Zooey Deschanel encaixa perfeitamente como Summer. Com belíssimos olhos azuis, e um gosto peculiar para roupas e músicas – o seu Beatle preferido é Ringo Starr -, Zooey (que também tem uma banda) encarna a mulher ideal para um fã de The Smiths, que cresceu acreditando no que os filmes e músicas diziam sobre o amor e se apaixonar. Já Joseph Gordon-Levitt é um dos pontos altos desse filme. Com uma atuação segura de quem sabe o que está fazendo, Gordon-Levitt não deixa seu personagem tornar-se cansativo em nenhum momento, seja quando está apaixonado ou depressivo.

Um dos pontos fortes do filme é sua trilha sonora riquíssima e heterogênea. Teria que ter um texto inteiro para falar sobre ela. Simon & Garfunkel (dupla que também está presente em Quase Famosos, um dos primeiros filmes de Zooey Deschanel e em A Primeira Noite De Um Homem - que recebe sua homenagem nesse filme quando Tom e Summer vão ao cinema), Poison, The Smiths, Carla Bruni, Feist, Regina Spektor, Pixies (com Here Comes Your Man, cantada de forma imperdível por Joseph Gordon-Levitt em um Karaokê). Até She’s Like The Wind, de Patrick Swayze, aparece no filme.

Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel marcam positivamente o filme com suas atuações

Os outros pontos fortes do filme concentram-se nas ótimas atuações (em especial de Joseph Gordon-Levitt) e em uma direção ousada que brinca com os clichês do gênero e homenageia grandes obras do cinema, como o já citado A Primeira Noite De Um Homem e O Sétimo Selo (A sequência onde Tom vai ao cinema e se vê no lugar das personagens, coisa que pode muito bem acontecer com qualquer um que assista a esse filme, é muito boa), (500) Dias Com Ela é algo novo no meio de tanta mesmice. E depois da cena onde Tom, totalmente desiludido, vai a uma reunião de trabalho, não pude parar de pensar numa frase de um filme que Tom, com certeza, é fã:

“O que veio primeiro? A música ou a miséria? As pessoas se preocupam com crianças brincando com armas, ou assistindo a vídeos violentos como se a cultura da violência fosse consumí-las. Ninguém se preocupa se crianças escutam milhares, literalmente milhares de músicas sobre separação, rejeição, dor, miséria e perda. Eu ouvia música pop porque era infeliz? Ou era infeliz porque ouvia música pop?”

(500) Dias Com Ela ((500) Days Of Summer): 2009, EUA. Direção: Marc Webb. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Matthew Gray. Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber. Duração: 95 min.

Notas:

Ronnie Romanini [9.5] Rodrigo Gianesi [9] Paulo do Valle [10]

Nossa média: [9.5]





Lua Nova: muita expectativa, pouca qualidade

20 11 2009

Segunda parte da saga de “Crepúsculo” apresenta poucas melhoras, roteiro parado e não supera o primeiro filme

Por Rodrigo Gianesi

Foi criada uma enorme expectativa sobre o filme Lua Nova, a segunda parte da saga de Crepúsculo, porém o filme não correspondeu a todas elas. O roteiro do livro de Stephenie Meyer já não era muito bom comparando aos outros livros da saga, portanto o filme também não tinha como se destacar demais. Desta vez dirigido por Chris Weitz (o primeiro filme da saga foi dirigido por Catherine Hardwicke), o filme conta com melhoras nos efeitos especiais, mas o roteiro não ajuda o diretor a fazer um grande filme.

Pattinson tem mais uma atuação muito fraca na saga

A segunda parte da saga mostra o período em que o vampiro Edward Cullen (em mais uma interpretação fraquíssima de Robert Pattinson) deixa Bella Swam (Kristen Stewart) na cidade de Forks e some, prometendo à Bella que ela nunca mais o verá novamente. A garota abandonada passa por depressão, e percebe que, ao se deparar com o perigo, vê a imagem de seu vampiro amado à pedindo que pare. Bella, então, se torna viciada em adrenalina para manter as visões de Edward. Jacob Black (Taylor Lautner), o melhor amigo de Bella, passa por essa fase de Bella ao seu lado, vendo seus sentimentos por ela ficarem cada vez mais fortes, até o momento que ele também passa por transformações sobrenaturais, quando se torna um lobisomem, inimigo mortal dos vampiros.

O roteiro, apesar das reviravoltas que acontecem na vida de Bella, Jacob e Edward, é muito monótono, assim como o livro. Não se poderia esperar algo tão diferente, tampouco fazer algo que fugisse dessa monotomia do livro, e é exatamente por isso que é um filme que deve agradar apenas aos fãs da saga, pois quem já havia lido a obra de Stephenie Meyer já sabia que o filme não seria a melhor parte da saga.

Aguardamos agora a terceira parte da saga, Eclipse, com lançamento previsto para 2010, esperando uma produção mais dedicada, pois apesar de os efeitos terem melhorado, ainda têm muito que aprimorar. Para o próximo filme, também será necessária uma melhora considerável na atuação dos atores, que, salva raras exceções, deixam (e muito) a desejar.

Lua Nova (The Twilight Saga – New Moon): 2009, EUA. Direção: Chris Weitz. Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Billy Burke. Roteiro: Stephenie Meyer, Melissa Rosenberg. Duração: 130 min.

Baseado no livro Lua Nova (New Moon), de Stephenie Meyer.

Notas:

Rodrigo Gianesi [5] Paulo do Valle [6] Ronnie Romanini [5.5]

Nossa média: [5.5]





Trainspotting – Sem Limites: espetacularmente insano

17 11 2009

Considerado um dos melhores filmes britânicos de todos os tempos, Trainspotting – Sem Limites mostra  a vida de Mark Renton e seus amigos envolvidos com drogas em Edimburgo

Por Rodrigo Gianesi

Baseado no romance de Irvine Welsh, Trainspotting – Sem Limites é uma descarga de adrenalina misturada com uma viagem intensa pela cabeça perturbada do jovem escocês Mark Renton (Ewan McGregor) e seus amigos, mostrando suas vidas imersas no mundo da heroína, como uma fuga do cotidiano monótono da cidade de Edimburgo.

Dirigido por Danny Boyle, o filme já começa com uma seqüencia fantástica: Renton e seu amigo Spud (Ewen Bremner) correm fugindo da polícia enquanto se ouve um monólogo sensacional de Renton: “…escolha seu futuro, escolha a vida. Eu escolhi não escolher a vida. Eu escolhi outra coisa. Os motivos? Não existem motivos. Pra que você precisa de motivos quando você tem heroína?”.

Cenas transitam entre a realidade e as alucinações de Renton

Boyle explora as alucinações de Mark descritas no livro de Welsh com muita fidelidade, mas mais do que isso, passa uma mensagem completamente adversa ao que se vê normalmente no cinema: não é um filme moralista, que apenas mostra que as drogas vão destruir sua vida. Pelo contrário, Mark tem uma vida relativamente feliz quando está envolvido com heroína. Seu pesadelo aparece apenas quando ele tenta parar de usar, o que acontece mais de uma vez no filme, sem sucesso.

Boyle, no entanto, peca em deixar algumas passagens do livro de fora do filme, e até alguns personagens. Porém, mesmo para quem leu o livro, o filme continua sendo uma adaptação muito próxima e bem feita. Welsh, o autor do livro, até faz uma ponta no filme no papel de Mikey Forrester, um traficante ocasional.

Diálogos interessantes, cenas que transitam entre o real e as alucinações, idéias não convencionais, uma dose de humor equilibrada com uma dose de drama, brilhantes atuações de Ewan McGregor e Robert Carlyle (no papel do psicopata Francis Begbie) e uma trilha sonora fantástica que conta com Iggy Pop e Underworld fazem deste filme essencial de ser visto por qualquer apreciador da sétima arte.

Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting): 1996, Reino Unido. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller, Kelly Macdonald. Roteiro: Irvine Welsh, John Hodge. Duração: 94 min.

Baseado no livro Trainspotting, de Irvine Welsh.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] ; Ronnie Romanini [8.5] ; Paulo do Valle [8.5]

Nossa Média: [9.0]








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