Grande elenco e roteiro agitado são os pontos fortes do filme de Scorsese
Por Paulo do Valle
“Um bom filme começa pelo seu elenco”. Se Levarmos em conta essa frase, Os Infiltrados pode ser considerado um excelente filme só pelo seu time de atores: Jack Nicholson, Leo DiCaprio, Matt Damon e a frieza de Mark Wahlberg fazem desse filme uma sangrenta obra de arte do Século XXI. Tudo isso somado à genialidade do diretor Martin Scorsese, o ex- injustiçado do Oscar, que graças a essa obra teve sua redenção e levou a estatueta de melhor filme para sua estante.
Frank Costello (Nicholson), é um típico mafioso dos tempos atuais. Irlandês vivendo em Boston (USA), Costello praticamente comanda o crime organizado da cidade. Com isso se torna inimigo número um da policia estadual. É ai que começa o jogo de gato e rato.
Querendo estar sempre um passo à frente da lei, o mafioso infiltra seu pupilo Colin Sullivan (Damon) dentro da policia. Por ter um ótimo desempenho e ser acima de qualquer suspeita, o rapaz sobe rápido de cargo e logo se encontra dentro da unidade de investigações especiais, que é justamente onde se encontra o caso de Frank Costello. Mas o que eles não contavam é que existe o outro lado da moeda (aí sim, fomos surpreendidos novamente), é quando entra o desacreditado Billy Costigan (DiCaprio), sem muito destaque na polícia e uma família com o nome sujo na praça, o rapaz é submetido a ser o infiltrado do lado policial no mundo do crime. Para que isso ocorra de uma forma perfeita, Costigan é dado como expulso da polícia e preso. O segredo é mantido a sete chaves pelos policiais Digman (Wahlberg) e seu superior Capitão Queenan (Martin Sheen), que são os líderes da operação para prender Costello. Não demora muito para que o rapaz consiga entrar no mundo do crime. Graças ao seu primo, um traficante pequeno, Costigan é introduzido ao submundo e rapidamente chega a Costello (em uma sequência que dói até em quem está assistindo, o mafioso, tenta pela dor física, descobrir se Costigan é um infiltrado da polícia). Assim, ambos os lados percebem a existência de informantes agindo por ali. Com isso, o filme torna-se eletrizante, chegando muitas vezes beirar o imprevisível.
A vida dos dois rapazes é cheia de coincidências e cruzamentos. Uma delas (inútil aos olhos do filme) , Sullivan e Costigan são apaixonados pela mesma mulher, a psicóloga da policia Madolyn (Vera Farmiga). O chifre no caso fica por conta do personagem de Damon. Em uma sequência de tirar o fôlego, Billy consegue descobrir onde Costello vai encontrar-se com o seu informante. Chegando ao local (pasmem, um cinema pornô), Costigan consegue encontrar os dois, mas não consegue ver a cara do outro infiltrado que, ao perceber que está sendo seguido, foge dando sequência a uma ótima cena do filme. Até o seu final o filme reserva boas emoções e surpresas para quem o assiste.
Com um desfecho surpreendente, é um ótimo exemplo do ditado ‘’ Jogar merda no ventilador’’. Scorsese apostou principalmente na força de seus protagonistas. Em mais uma atuação típica de Nicholson, beirando o sinistro e o cômico (assim como em Batman e O Iluminado) . E principalmente em DiCaprio, seu queridinho. Vale ressaltar também a excelente atuação de Mark Wahlberg, que mesmo não sendo um dos protagonistas, da vida à um corrosivo policial de mal com a vida.
Inspirado em Conflitos Internos, um filme policial de Hong Kong. Os Infiltrados pode ser considerado um clássico gangster do Séc XXI que deu a Scorsese (mesmo em meio a protestos a favor de A Pequena Miss Sunshine), um lugar ao sol entre os diretores que já levaram o tão cobiçado Oscar. Além de melhor diretor, levou para casa também como melhor filme, melhor montagem e melhor roteiro adaptado.
Com uma trilha sonora tão violenta quanto o filme ( De Stones passando por Beach boys até chegar na pesada gaita de foles do Dropkick Murphys) Os Infiltrados marca seu nome no cinema gângster mundial.
Os Infiltrados ( The Departed): 2006, EUA. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga. Roteiro: Siu Fai Mak e Felix Chong. Duração: 149 min.
Notas:
Paulo do Valle [7.5] Ronnie Romanini [7.5]
Média parcial: [7.5]
