Nossos palpites para o Globo de Ouro:

17 01 2010

É isso aí: é hoje a premiação do Globo de Ouro, principal “termômetro” para o Oscar e segundo maior prêmio de cinema, atrás apenas do próprio Oscar.

Aqui vão nossos palpites (ou até torcida em alguns casos hehe) para os premiados:

Melhor filme drama

Rodrigo Gianesi: Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino

Ronnie Romanini: Amor sem Escalas (Up in the Air), de Jason Reitman

Paulo do Valle: Avatar, de James Cameron

Melhor filme musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: (500) Dias com Ela ((500) Days of Summer), de Marc Webb

Ronnie Romanini: Nine, de Rob Marshall

Paulo do Valle: Se Beber Não Case (The Hangover), de Todd Philips

Melhor direção

Rodrigo Gianesi: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: James Cameron, por Avatar

Paulo do Valle: James Cameron, por Avatar

Melhor ator – Drama

Rodrigo Gianesi: George Clooney, em Amor sem Escalas

Ronnie Romanini: George Clooney, em Amor sem Escalas

Paulo do Valle: Morgan Freeman, em Invictus

Melhor atriz – Drama

Rodrigo Gianesi: Sandra Bullock, em  O Lado Cego

Ronnie Romanini: Gabourey Sidibe, em Preciosa

Paulo do Valle: Gabourey Sidibe, em Preciosa

Melhor ator – musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: Robert Downey Jr., em Sherlock Holmes

Ronnie Romanini: Daniel Day-Lewis, em Nine

Paulo do Valle: Robert Downey Jr., em Sherlock Holmes

Melhor atriz – musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: Meryl Streep, em Julie & Julia

Ronnie Romanini: Meryl Streep, em Julie & Julia

Paulo do Valle: Meryl Streep, em Julie & Julia

Melhor ator coadjuvante

Rodrigo Gianesi: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Paulo do Valle: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Melhor atriz coadjuvante

Rodrigo Gianesi: Mo’Nique, em Preciosa

Ronnie Romanini: Vera Farmiga, em Amor sem Escalas

Paulo do Valle: Mo’Nique, em Preciosa

Melhor filme estrangeiro

Rodrigo Gianesi: A Fita Branca (Dass Weisse Band), de Michael Haneke

Ronnie Romanini: A Fita Branca (Dass Weisse Band), de Michael Haneke

Paulo do Valle: Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar

Melhor animação

Rodrigo Gianesi: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Ronnie Romanini: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Paulo do Valle: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Melhor roteiro

Rodrigo Gianesi: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Paulo do Valle: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Trilha sonora original

Rodrigo Gianesi: James Horner, Avatar

Ronnie Romanini: Karen O, Carter Burwell, Onde Vivem os Monstros

Paulo do Valle: Michael Giacchino, Up – Altas Aventuras

Canção original

Rodrigo Gianesi:I Want to Come Home“, de Everybody’s Fine : Música e letra de Paul McCartney

Ronnie Romanini: The Weary Kind“, de Crazy Heart : Música e letra de Ryan Bingham, T Bone Burnett

Paulo do Valle: I Want to Come Home“, de Everybody’s Fine : Música e letra de Paul McCartney





O que aprendemos com Avatar

16 01 2010

Por Paulo do Valle

Após um mês de sua estréia, tomei vergonha na cara e assisti o tão comentado “Avatar“. 400 milhões de dólares, o filme mais caro da história, segunda maior bilheteria de todos os tempos (só perdendo para Titanic do mesmo James Cameron)… precisa de mais alguma coisa? Sim! Uma crítica minha aqui no @cinemajestic.  :)

Para muitos um filmão, para outros uma decepção. O que ninguém pode discordar é que “Avatar” matou a pau no quesito ‘’efeitos especiais’’. Mas por incrível que pareça, não é por isso que o filme vale a pena.

A história quase todos nós já sabemos: futuro distante, um outro planeta, uma outra raça e uma matéria prima valiosa. O ano é distante mas a mania de poder e dinheiro dos seres humanos é a mesma. Bora causar em outro planeta e pegar esse minério pra nós! Para isso é criado um corpo idêntico ao das pessoas desse planeta onde só a mente é transferida , enquanto o humano “dorme”. Temos o famoso Avatar.

Clichê, manjada, cansativa, Disney… Cada um tem sua opinião sobre a história escrita por Cameron. Mas o que não podemos ignorar é o que esse filme nos mostra e nos ensina. Foi preciso usar outra raça e outro planeta para mostrar as aberrações que acontecem aqui, entre nós mesmos, tão iguais na teoria. Não é preciso ir tão longe para detectar casos parecidos com o do filme: basta abrir um jornal, assistir televisão ou, porque não, apenas sair na rua. Não quero entrar em detalhes socioeconômicos, políticos e tudo mais. Mas é impossível, após assistir ao filme, não refletir sobre o quão grande é a merda (me desculpem o palavrão) do mundo que vivemos. O mais engraçado foi perceber o quanto as pessoas ficavam chocadas com a crueldade humana para com os nativos da ilha, se esquecendo de como isso cada vez mais se torna comum no mundo em que vivemos, e parece que, mais e mais, estamos nos acostumando com isso.

Ao ver minha namorada sofrendo durante a sessão pela vida dos pobres coitados do planeta de Pandora, pude perceber o quanto nos esquecemos de sofrer pela vida de pessoas reais e, como nós, vivendo no mesmo planeta. Ao folhear uma revista nos deparamos com imagens tão chocantes quanto a que podemos ver os humanos fazendo no filme contra a população de outro planeta mas que, por motivo de acomodação, acabamos ignorando e mudando a página, como se aquele problema não fosse nosso. E eu falo isso com toda a convicção do mundo, porque eu sou assim, vítima da minha própria ignorância e comodismo.

Muito triste saber que foi preciso ser gasto 400 milhões de dólares para mostrar ao mundo o quanto somos cruéis com nós mesmos e com a nossa maior riqueza, que é a natureza, e que, mesmo assim, muita gente vai sair do cinema satisfeita com a diversão proporcionada pelos efeitos do filme e apagar ou ignorar a mensagem, que está tentando ser passada todos os dias gratuitamente pelo mundo. E o que mais choca é saber que nós somos os vilões dessa história.

Avatar (Avatar): 2009, EUA. Direção: James Cameron. Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi. Roteiro: James Cameron. Duração: 162 min.

Notas:

Paulo do Valle: [7.5] Rodrigo Gianesi [8.0] Ronnie Romanini [8.5]

Média: [8.0]





Sherlock Holmes – Dez motivos para amar (ou odiar) o filme

12 01 2010

Por Paulo do Valle

Um dos filmes mais esperados dos últimos tempos, “Sherlock Holmes“, finalmente deu as caras para o mundo.
Após início de gravação conturbado, com o filme em andamento, foi pedido para que tudo fosse refeito (alguns dizem que o fim do casamento do diretor Guy Ritchie com a Rainha do Pop Madonna  tenha sido o grande culpado pelo fracasso do primeiro roteiro). Superado tais problemas, o filme voltou a ser rodado e hoje temos o resultado aí.

O que vou fazer aqui não é uma resenha, resumo ou crítica. É uma listagem de 10 observações que podem dividir a opinião do espectador:

1- Guy Ritchie (“Snatch“, “RocknRolla“) o Diretor. Quem conhece os trabalhos anteriores de Ritchie sabe que o homem adora um soco na cara e uma boa cena de luta. “Sherlock Holmes” não é diferente: muitas cenas de ação e as clássicas cenas em slow motion de brigas e dentes / costelas / dedos quebrados.

2- Para muitos, a leitura que Guy Ritchie fez sobre Sherlock nesse filme foi excelente, deixando os clichês dos livros de lado, sem deixar o detetive perder a identidade tão conhecida durante décadas. PORÉM, para outros a leitura de Ritchie perdeu a mão e deixou o detetive com outra cara e personalidade, deixando o filme sem sentido comparado aos livros.

3- Outro ponto de intriga entre Filme x Livro é o uso do humor em vários momentos do filme. Outra característica do diretor, que sempre em seus enredos gosta de misturar cenas de ação com personagens peculiares que, de tão diferentes, chegam a ser cômicos e logo fazem da história algo divertido. Não sou um fã de carteirinha dos clássicos de Holmes, mas o único livro que eu li do autor Arthur Conan Doyle, “O Cão de Baskerville“, não mostra uma pegada humorística. Longe disso.

4- Robert Downey Jr (“Homem de Ferro“, “Assassinos por natureza”). O ator do momento dá um charme especial à Sherlock Holmes, abusa de caras e bocas e dá um carisma do tamanho do mundo ao detetive.

5- Por todo o carisma e malemolência dado a Sherlock por Downey Jr, muitas vezes me senti assistindo à “Piratas do Caribe“. Um personagem totalmente carismático, charmoso e engraçado vivendo dentro de um enredo aventureiro em um cenário passado. Para quem gosta, um prato cheio, para os mais “clássicos”, nem tanto assim.

6- Jude Law (“Closer – Perto Demais“, “Alfie – O Sedutor“) como Watson. Esqueça se você já assistiu ao filme, ou viu algumas imagens dele. Feche os olhos e pense no Watson. Dificilmente você pensaria em Law caso nunca o tivesse visto como o médico companheiro de Sherlock. Mas o mais bacana disso tudo é que realmente o galã se saiu muito bem como Watson e deu uma nova cara ao personagem, até mesmo aumentando sua importância no desenrolar dos fatos.

7- A belíssima Rachel McAdams (“Diário de uma Paixão“, “Penetras Bons de Bico“. A misteriosa horas bandida, horas mocinha, que mexe com a cabeça de Sherlock . De tão misteriosa, as vezes é preciso deduzir (assim como o detetive) qual é a dela no filme. Não se sabe ao certo o que ela tem ou já teve com Holmes e nem o que esperar dela. Mas claro, como todo bom filme Hollywoodiano, o mocinho precisa de sua musa.

8- Guy Ritchie, investigação, magia negra, política… Tudo isso junto, misturado com a adrenalina do filme, algumas horas podem confundir a cabeça de quem assiste e fazer com que a pessoa se sinta perdida no filme (assim como eu), mas tudo isso pode ser compensado com as explicações dedutivas de Holmes.

9- Como não poderia faltar, o vilão da história. Lorde Blackwood é aquele típico vilão de dar calafrios, sem precisar dizer nada. Logo na primeira cena do filme já da pra sentir o que deve vir pela frente. O que decepciona (ou não) é que no fim das contas ele parece mais um daqueles vilões do desenho Scooby-Doo. Mas tudo faz parte da mágica do filme.

10- Independente de ser clássico ou não, fugir do roteiro, esquecer de alguns detalhes que os fãs consideram importantes, Sherlock Holmes é com certeza um filme divertido, que já cravou seu nome na história do cinema. Ao que parece, teremos uma continuação (assim como todos os bons clássicos de aventura). Resta saber se teremos um clássico para os fãs dos livros, ou mais um clássico Hollywoodiano. Pelo sucesso deste primeiro, da pra ter uma noção do que pode vir aí.

Sherlock Holmes (Sherlock Holmes): 2009,EUA. Direção: Guy Ritchie. Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Kelly Reilly. Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg Duração: 128 min

Notas:

Paulo do Valle [8], Rodrigo Gianesi [7] Ronnie Romanini [7.5]

Média: [7.5]





Pomoção Globo de Ouro 2010!

11 01 2010

Olá, leitores.

Bom, a premiação do Globo de Ouro de 2010 vai ser esse domingo já, então se você não está participando da promoção, corra que você só pode mandar seus palpites até quinta feira, dia 14 de janeiro! Para saber como participar, leia este tópico.

Bom, como prometemos, fizemos uma lista com opções de filme que vocês podem escolher. Aqui vai a lista para ir pensando qual filme vai escolher caso seja o vencedor:

Bom, é isso!

Mandem seus palpites e concorra a um filme em DVD até quinta feira!

Equipe Cinemajestic





Bastardos Inglórios: mais uma genialidade de Quentin Tarantino

11 01 2010

Christoph Waltz se destaca mesmo atuando ao lado de Brad Pitt, no fantástico filme de Tarantino que reescreve a história da ocupação da França pela Alemanha nazista

Por Rodrigo Gianesi

Fui ao cinema alguns meses atrás com uma enorme expectativa para assistir o mais recente filme de Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”. Tinha até medo de deixar minhas expectativas muito altas e acabar me decepcionando. Porém, é Tarantino. Não dá pra se decepcionar com o trabalho dele. O filme tem todas as características básicas e marcantes do diretor: capítulos, diálogos excepcionais, humor seco e sarcástico, ótimas atuações e (muita) violência. Mas mesmo assim, você se surpreende. Ao assistir o filme novamente esses dias, vi que a minha primeira impressão sobre ele estava correta: “Bastardos Inglórios” é fantástico.

O filme mostra um grupo vingativo e violento de soldados judeus americanos que viaja para a França com um único objetivo: matar nazistas. Comandados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), os “Bastardos” espalham o terror entre aqueles que vestem a farda do Terceiro Reich. “Seremos cruéis com os alemães e, através dessa crueldade, eles vão saber quem nós somos. Verão a evidência de nossa crueldade nos corpos estripados, desmembrados e desfigurados dos próprios irmãos… E os alemães vão ficar cansados de nós. Os alemães vão falar de nós. Os alemães terão medo de nós.”. Esta é apenas uma parte do discurso do tenente para seus soldados, antes de partir. E eles conseguem tudo que Aldo “O Apache” diz.

Eli Roth e Brad Pitt fazem os Bastardos mais marcantes; O Judeu Urso e Aldo, o Apache

Além de Aldo Raine, os outros Bastardos também são marcantes. Donny Donowitz (Eli Roth), ou, simplesmente, “O Judeu Urso”, é temido por todos os soldados nazistas pela sua fama de espancá-los até a morte com um taco de beisebol. Hugo Stiglitz (Til Shweiger) matou vários nazistas enquanto era soldado do Terceiro Reich. Após Stiglitz ser preso, os Bastardos o libertaram para “profissionalizá-lo” na arte de matar nazistas. As cenas do grupo misturam violência, suspense e humor refinado.

Paralelamente à história dos Bastardos, o filme mostra a história de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), uma garota que conseguiu escapar do massacre que os nazistas aplicaram em sua família, logo na primeira cena do filme. Esta cena em questão é, na minha opinião, uma das melhores cenas do longa, com o tenso diálogo entre o fazendeiro Perrier LaPadite (Denis Menochet) e o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz). Após o assassinato de sua família, Shosanna foge e planeja uma vingança contra os nazistas.

Christoph Waltz mostra uma atuação sensacional como o Coronel Hans Landa

Brad Pitt está, como sempre, impecável em sua atuação. Porém, não é ele quem se destaca mais, graças à Christoph Waltz. O ator austríaco foi um achado (ou um BINGO) de Tarantino. Waltz havia participado de poucos filmes (trabalhou mais em programas de televisão na Alemanha), e mostra uma atuação fantástica em “Bastardos Inglórios”. Waltz consegue despertar raiva, medo e simpatia juntos, criando um personagem diferente e muito forte. As melhores cenas do filme envolvem o austríaco: a seqüência inicial, a conversa dele com Shosanna no restaurante, entre outras. Vendo o filme (e a atuação de Waltz) podemos entender porque Tarantino quase desistiu de fazer o longa, pois não encontrava alguém para fazer o papel do Coronel. Não era fácil, pois o ator precisaria falar quatro línguas (inglês, francês, alemão e italiano) e, além disso, ser um ator expressivo. Ainda bem que Tarantino não desistiu. Acho que, com essa atuação, Waltz merece prêmios de melhor ator coadjuvante, e não duvido que ele leve.

De resto, só vendo o filme para entender. Tarantino consegue reescrever a história de um jeito que nunca imaginamos, e de forma sensacional. O diretor consegue fazer as cenas mais violentas serem visualmente bonitas. Mortes, explosões e tiroteios parecem música, parecem dança. Sinceramente, chega a ser lindo e arrepiar. Ok, não são todas as cenas violentas que são tão bonitas. Os bastardos arrancando os escalpos dos nazistas pode não ser a cena mais bela que você já viu, mas, ao ver um companheiro comendo um sanduíche logo ao lado daquele que arranca um pedaço da cabeça do inimigo torna a cena engraçada.

As cenas de suspense do filme também são memoráveis. Na primeira cena, por exemplo, todos sabem que a família Dreyfus vai morrer. Porém, Tarantino constrói um suspense interminável, com  um diálogo envolvente entre o fazendeiro e o Coronel. Depois, em um ataque dos Bastardos aos nazistas, o Tenente Aldo Raine fala do “Judeu Urso”, diz ao soldado nazista que ele está lá e que ele bate nos inimigos com seu taco de beisebol. Mesmo assim, no caminho do Bastardo para sair do túnel, só o ouvimos batendo com o taco no chão, e ele demora a aparecer. Nós sabemos o que vai acontecer. Nós sabemos o que vamos ver. Mesmo assim, ficamos nervosos por esperar. Tem coisas que só o Tarantino faz…

Combinando com uma trilha sonora ousada e muito adequada, fotografia espetacular, ótimo elenco e roteiro fantástico, “Bastardos Inglórios” é um filme completo, e ouso em dizer que o filme já se tornou meu favorito de Tarantino, e espero, ansiosamente, o prelúdio já anunciado pelo diretor. Parabéns, Quentin Tarantino. Você é um gênio, e prova isso a cada filme.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds): 2009, EUA, Alemanha. Direção: Quentin Tarantino. Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Diane Kruger, Michael Fassbender, Daniel Brühl, Til Shweiger, Gedeon Burkhard. Roteiro: Quentin Tarantino. Duração: 153 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Paulo do Valle [10]

Média Parcial:

[10]





Entre os Muros da Escola

5 01 2010

“Entre os Muros da Escola” usa a escola para falar sobre os problemas e conflitos na sociedade Francesa

Por Ronnie Romanini

Baseado em um livro autobiográfico escrito por François Bégaudeau (que também assina o roteiro ao lado de Robin Campillo e Laurent Cantet – esse último também o diretor), “Entre os Muros da Escola” é um filme que retrata a França atual, com sua miscigenação étnica e racial e forte xenofobia com os imigrantes, o que gera vários conflitos no país. O filme foi o vencedor da Palma de Ouro em 2008 e indicado a Melhor Filme Estrangeiro.

François Bégaudeau, aliás, não é só o escritor do livro que originou o filme e roteirista, como também interpreta a si mesmo nesse filme, em sua estréia como ator. O resultado é surpreendente, já que François é a principal figura do longa, onde acompanhamos suas dificuldades em tornar interessante uma aula que, temos de admitir, não é nada interessante para aqueles jovens da periferia Francesa.

Com alunos provocadores, François se esforça para mostrar-se interessado na vida e no desenvolvimento daqueles jovens, insistindo em corrigir qualquer gíria ou erro na fala desses alunos, que não dão a mínima para os esforços de François. Temos um jovem, Souleymane, por exemplo, que encontra dificuldades em casa (em certo momento do filme uma aluna pergunta se François conhece o pai de Souleymane, insinuando que é um homem rigoroso e disciplinador) e acaba por transmitir essa rebeldia contida na sala de aula. O mais interessante é notar que os alunos não são mostrados como estereótipos. Mesmo os que entram em conflito com o professor são humanos, com suas imperfeições e fraquezas, e que no fundo só desejam ter alguém que os escute e os compreenda. A cena em que François explora o gosto de Souleymane pela fotografia é o exemplo maior disso.

François tenta ser esse elo de comunicação e compreensão, nem sempre com sucesso. Chamado de burguês, de afetado e de homossexual pelos alunos, ele não consegue o retorno desejado no esforço de fazer com que esses jovens pensem, reflitam, debatem. Os debates entre eles consistem em provocações sobre futebol e xingamentos que chegam a ser racistas, já que a sala de aula é uma mistura de descendentes de marroquinos, antilhanos e os franceses como o protagonista. Interessante notar que poucos se definem “franceses”, e aqueles que se definem, dizem não ter orgulho disso.

François Bégaudeau escreveu o livro, roteirizou e é o protagonista do filme

François é o personagem mais complexo do filme. Tentando sempre incluir os alunos e aparar as diferenças, acaba por vezes sendo visto como ele próprio um burguês, um racista, como quando questionado pelos alunos sobre o motivo de sempre usar nomes de pessoas brancas nos exemplos dados em sala. Em certo momento do filme François refere-se à Áustria como um país pequeno, sem importância, que ninguém sentiria falta se não existisse. Essa fala pode parecer preconceituosa, mas é dita de uma forma natural, mostrando também que toda pessoa, por mais esforçada e dedicada que seja (como François é), comete pequenos deslizes que não necessariamente significam que se trata de uma pessoa preconceituosa.

É por isso que nos surpreendemos quando François perde a paciência e ofende duas alunas (que dizem aos amigos que François chamou um aluno de limitado), ocasionando um conflito na sala de aula que coloca em risco um ano inteiro de trabalho com esses alunos. Esse incidente nos faz refletir que, por mais que exista uma hierarquia – e François por vezes tenta fingir que não, tentando ser um professor-amigo – todos, do Diretor ao colega que entra na sala dos professores com um desabafo raivoso e triste, são pessoas com defeitos, com dificuldade em aceitar críticas e que reagem com agressividade quando confrontadas com uma realidade que preferiam ocultar.

“Entre os Muros da Escola” é um drama pesado e difícil que retrata o ambiente escolar sem os clichês e estereótipos e da forma mais verdadeira, não retratando nenhuma das personagens como uma pessoa má e nenhuma como livre de defeitos. Aborda vários temas que podem ser debatidos, como o convívio forçado de diferentes culturas e etnias e até onde vai a figura do educador na vida dos alunos, qual é o limite de liberdade que um pode ter com o outro. O mais importante a ser notado é que François não é apenas um professor, passando seus conhecimentos sobre francês aos alunos, mas sim um educador, tentando sempre estimulá-los e fazê-los refletir, através de discussões que começam em um assunto e terminam em outro totalmente diferente, não se prendendo apenas a ensinar o significado de “pérfido”.

Observação: o elenco é quase que inteiramente formado por amadores que interpretam a si mesmo.

Entre os Muros da Escola (Entre les murs): 2008, França. Direção: Laurent Cantet. Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille. Roteiro: Robin Campillo, Laurent Cantet, François Bégaudeau. Duração: 128 min.

Notas:

Ronnie Romanini [10] Rodrigo Gianesi [8.5]

Média parcial: [9.25]





Lula, O Filho do Brasil

2 01 2010

Lula, o Filho do Brasil é um épico dramático político – não partidário.

Por Ronnie Romanini

Escrever sobre o filme que retrata a vida do Presidente mais popular da história do país e, ao mesmo tempo, do Presidente que ainda encontra grande preconceito e rejeição da classe alta, é algo sempre perigoso. Podem acusar o texto de ser pró-Lula, anti-Lula, comunista, reacionário. É importante deixar claro que, assim como o filme faz, a abordagem do Lula político não estará presente aqui.

Dito isso, vamos ao filme. Dirigido por Fábio Barreto (que dirigiu também o filme “O Quatrilho” – indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – e que está hospitalizado em estado grave após um acidente), o filme é uma adaptação a um livro de mesmo nome de Denise Paraná, que o escreveu através de entrevistas com o próprio Lula e seus familiares e amigos. O filme começa com o nascimento de Lula – já longe do pai – e aborda sua infância, adolescência e início de vida política como lider sindical, sem abordar a luta pelas eleições diretas ou a fundação do PT.

Os realizadores do filme acertam em não explorar a miséria de Lula e sua família. As cenas passadas no nordeste são com poucas falas e uma bela fotografia, o suficiente para nos darmos conta da vida que o povo, e não apenas Dona Lindú e filhos, levavam e ainda levam em uma região que muita gente dirá: nem parece Brasil. O filme tem seu mérito ao não tentar fazer uma analise sociólogica sobre a vida de uma mãe solteira na região nordeste com muitos filhos para cuidar, focando apenas na história de um homem que subiu na vida e de sua mãe, que sempre esteve por trás da ascensão do filho.

Glória Pires rouba a cena na primeira metade do filme como Dona Lindú, mãe de Lula.

Dona Lindú, aliás, é a grande figura desse filme, talvez até mais do que Lula. Com uma atuação surpreendente de Glória Pires, Lindú encarna a típica mãe solteira que tem uma família grande pra cuidar, mas que nunca desanima. Cheia de frases de efeito e lições de moral, a personagem acaba por não cair na caricatura justamente porque todos conhecemos uma Dona Lindú, com suas falas de vocabulário pobre, porém com um grande significado por trás. Glória Pires, principalmente na primeira metade do filme, dá vida a uma figura que, apesar dos altos e baixos, nunca desanima. “Teima” sempre, como ela própria diz. As cenas em que Dona Lindú se orgulha do filho são emocionantes, como quando Lula recebe o diploma de Torneiro Mecânico ou quando Lula se suja propositalmente de óleo, numa passagem riquíssima em significado e muito bem realizada, já que o filme sempre deixa implícito esse significado, sem precisar jogar na cara de quem está assistindo como se todos fossem burros para não perceber a dimensão de tal gesto. Eu não me surpreenderia se – com uma pesada divulgação no exterior durante 2010 – Glória Pires recebesse uma indicação ao Oscar por esse filme.

Se na primeira metade do filme Dona Lindú é a protagonista, aos poucos Lula vai crescendo e tomando conta do filme. O garoto que o interpreta na adolescência mostra ser uma surpresa agradável nas poucas cenas em que aparece (como na já citada cena do macacão sujo). Algo a se lamentar é a pouca profundidade com que o filme aborda várias passagens da vida de Lula, mas compreensível, tendo em vista de que é impossível abordar todas as passagens detalhadamente.

Com Lula adulto, podemos acompanhar a transformação na vida de um homem cheio de conflitos internos e de opiniões. Com um irmão comunista e sindicalista (Ziza), Lula prefere assistir novela e quer distância da confusão de um sindicato. Chega a dizer para o irmão, que cobra uma consciência da classe trabalhadora, que os trabalhadores são uns “fudidos”, simbolizando que é impossível cobrar consciência quando se trabalha árduamente para botar comida na mesa. É notável a transformação da figura Luis Inácio para o Lula que conhecemos quando ele, trabalhando na fábrica, vê que as pessoas da diretoria do Sindicato nada mais são do que pessoas que nunca operaram uma máquina.

O filme não tenta mostrar Lula como herói. Diversas vezes é chamado de traíra pelos trabalhadores. Mostra também o seu envolvimento com a diretoria do Sindicato que, segundo Ziza, é chegada em uns “milicos” e que notadamente não faz nada demais pela classe trabalhadora, com o Presidente do Sindicato Feitosa (em uma atuação boa de Marcos Cesana) conseguindo “jeitinhos” para si e temendo que os trabalhadores entrem em greve por medo da repressão. Uma diretoria “pelega”. Aliás, o tempo todo o filme tenta afastar Lula da imagem de comunista, com o personagem sempre negando o ser e tentando permanecer neutro. Porém, o filme que engrena como uma narrativa a partir do envolvimento de Lula com o sindicato, mostra essa relação entre opressor e oprimido, capital e trabalho, da repressão policial contra os trabalhadores e a repressão militar de forma geral, o que denota uma “luta de classes”. Esse é outro acerto do filme, já que é um filme que não mostra a Ditadura Militar apenas como Comunistas x Ditadores, mostrando que a sociedade civil e os trabalhadores também sofriam com a repressão. Digna de elogios é a cena na qual um policial olha Lula de cabeça para baixo cantando o tema da Seleção Brasileira da Copa de 70 (um tema totalmente ufanista, criado pelo Governo Militar para transmitir um clima de otimismo e união entre os Brasileiros), enquanto do lado de fora, um rapaz é agredido por outros policiais.

Rui Ricardo Dias faz um bom trabalho como Lula, não tentando o imitar, principalmente no tom de voz, o que poderia acabar numa caricatura. Apesar disso, quando o Lula do filme reúne o sindicato dentro de uma igreja e diz que os cargos da diretoria estão à disposição, podemos ver claramente o Lula real ali, com a voz embargada, se emocionando depois da demonstração de apoio dos companheiros. Essa cena, assim como todas as cenas de assembléias, são muito bem reproduzidas. Particularmente a assembléia ocorrida no Estádio da Vila Euclides, com o exército esperando do lado de fora e helicópteros sobrevoando o estádio onde Lula discursa para 100 mil trabalhadores, sem microfone, com a sua fala sendo reproduzida boca a boca para que o estádio inteiro saiba o que ele está falando.

Entretanto, apesar da bela reprodução da assembléia no Estádio Vila Euclides, alguns discursos de Lula são rasos. Ainda nas reuniões do sindicato, Lula fala meia dúzia de frases e logo é recebido com gritos de “LULA, LULA”, exagerando na resposta dos trabalhadores, já que, ao contrário da excelente retórica do Lula real, os discursos nas reuniões do sindicato do filme são fracos e não reproduzem o seu ponto forte.

Outro ponto fraco do filme é o personagem de Aristides, pai de Lula, interpretado por Milhem Cortaz. Sempre bebendo, vociferando, babando e batendo nos filhos e na mãe, o personagem acaba sendo uma ilustração patética de um bêbado. Tudo isso, claro, para que o Lula pequeno seja um herói ao enfrentar o pai dizendo que “homem não bate em mulher”. A única cena onde Milhem Cortaz e seu personagem Aristides funcionam, é logo após esse enfrentamento do pequeno Lula com seu pai, quando ele se recolhe quieto a um canto com uma expressão desoladora, onde finalmente enxergamos algo de humano nesse homem. Se a cena onde Aristides impede Lula de jogar futebol também funciona bem, ela é logo prejudicada pela câmera em close mostrando o pai bebendo e babando sua pinga, uma imagem que poderia ter ficado de fora pelo exagero e pelo tom apelativo. A cena mais vergonhosa do filme é, de novo, com Aristides, implorando para que Lindú, chamada de desgraçada, não vá embora. Felizmente para o filme, Lindú vai embora e a narrativa cresce a partir daí, tornando-se um épico de um sujeito que superou todas as dificuldades que encontrou na vida inspirado pela braveza da mãe (que tem um filme à parte dentro desse).

Com uma boa direção e uma excelente fotografia, o filme me surpreendeu positivamente. É interessante notar que, a princípio, o filme quase não tem diálogos, sendo possível ouvir barulhos de animais no sertão nordestino, que é mostrado sempre com uma cor quente e forte, para logo depois esses barulhos de animais cederem espaço a vibrantes platéias que urram o nome de Lula, ou mesmo ao barulho das máquinas da fábrica. A cena onde Lula é acordado com a casa em inundação é muito bem dirigida e com uma ótima fotografia, fazendo com que você, assim como o personagem recém-despertado, tente entender o que está acontecendo. Sem falar nos cortes, onde o Lula adolescente dá lugar a um Lula mais maduro na mesma cena, em frente a uma máquina, ilustrando a passagem de tempo e sua maturidade no próprio trabalho, e a cena onde o Lula criança é fotografado e depois vemos o mesmo Lula, 30 anos mais velho, sendo fotografado na prisão. E preparem o lenço para a cena final, quando Lula toma posse como Presidente e oferece tudo a Dona Lindú.

“Lula, o Filho do Brasil” é um filme grandioso. Longe de querer discutir problemas sociais, o filme deixa subentendida as várias mudanças de pensamento do homem acima do mito e seus conflitos internos. Deixa subentendida também a miséria na vida dos moradores do sertão nordestino, a dificuldade de um operário que trabalha muito e ganha pouco pra sustentar o mesmo sistema que o oprime, além da luta de classes existente no filme. E a surpresa positiva desse filme veio, claro, por conta do bombardeio que ele vem sofrendo na imprensa brasileira, o que me leva a pensar: Será que não podemos analisar o filme como uma obra cinematográfica? Como o retrato de um dos inúmeros “Filhos do Brasil”, como a história de uma das muitas “Mães do Brasil”? É uma obra dramática que não tem a pretensão de revolucionar o cinema, muito menos a história, apenas conta a história rica de um homem que superou todos os obstáculos e chegou à Presidência da República. E nesse aspecto, o filme é um excelente drama político, e o que aconteceu a partir da fundação do PT e da sua chegada à Presidência da República, não pode estar em discussão em detrimento do excelente filme realizado.

Em uma época onde o recorde de bilheterias do cinema nacional é “Se Eu Fosse Você 2″, um filme como “Lula, o Filho do Brasil” é o melhor “blockbuster” brasileiro dos últimos anos.

Observação: Tim Maia servindo como trilha sonora para Lula e Lurdes é um destaque à parte nas músicas do filme, todas funcionando muito bem.

Lula, O Filho do Brasil: 2009, Brasil. Direção: Fábio Barreto. Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Juliana Baroni, Cléo Pires, Milhem Cortaz, Marcos Cesana, Antonio Pitanga, Lucélia Santos. Roteiro: Denise Paraná, Daniel Tendler, Fernando Bonassi. Duração: 130 min.

Notas:

Ronnie Romanini [8.5] Rodrigo Gianesi [7] Paulo do Valle [7]








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