“Ilha do Medo” – simplesmente sensacional

16 03 2010

Martin Scorsese apresenta um suspense psicológico que envolve do início ao fim, com ótima atuação de DiCaprio

Por Rodrigo Gianesi

Fui assistir o mais novo filme de Martin Scorsese sexta-feira. E fui assistí-lo novamente hoje para confirmar minhas primeiríssimas impressões: que filme fantástico. “Ilha do Medo” é um suspense psicológico que aflige desde a primeira seqüencia até o surgimento dos créditos finais. No início do filme, já podemos perceber a tensão que roda em torno do protagonista do filme, Teddy (Leonardo DiCaprio), um detetive federal que vive em tortura devido à morte de sua esposa em um incêndio proposital. Sua primeira fala é “controle-se, Teddy”, enquanto ele passa mal em um navio que está o levando para Shutter Island, uma ilha que serve como prisão de criminosos psicologicamente perturbados.

Teddy é enviado à Shutter Island para investigar o desaparecimento de uma das prisioneiras (ou “pacientes”, como o Dr. Cawley (Ben Kingsley) prefere chamar), condenada por ter matado seus três filhos. Enquanto Teddy e seu novo parceiro, Chuck (Mark Ruffalo), se aproximam da ilha em um clima frio e misterioso, a trilha sonora ajuda a criar toda a tensão que o diretor quis passar. A tensão se estende até o momento que os agentes chegam aos portões da instituição, quando estes se abrem causando uma contradição interessante à todo o clima criado por Scorsese e pela direção de arte.

A fotografia do filme é impecável. Planos maravilhosos passam exatamente a sensação que o roteiro pede. Desde a já comentada sombria seqüência de abertura até detalhes como a sala escura com apenas um foco de luz no telefonista ou a marcante (e, talvez, repugnante) imagem de milhares de ratos cobrindo uma enorme rocha à beira do mar mostram o enorme talento do diretor de fotografia, Robert Richardson (que também fez as belas fotografias de “Bastardos Inglórios“, “Kill Bill“, entre outros).

DiCaprio vive um personagem intenso e perturbado

A atuação de Leonardo DiCaprio também é fantástica. O ator é bem eficiente e convincente como o intenso Teddy Daniels. Personagem este que deixa suas características bem claras: inconstante, violento, perturbado e com um forte (e exagerado) apego ao passado. Podemos perceber isso com seus constantes sonhos relacionados à sua falecida mulher e o fato de ele sempre usar uma gravata, que ele revela achar horrível, simplesmente pelo fato de ser um presente dado por ela. Apesar de Teddy se mostrar sempre como um homem forte, ele é, desde o começo do filme, muito vulnerável e frágil na ilha, sendo constantemente guiado e tratado pelos outros lá presentes.

Como já disse antes, o clima tenso se estende pelo longa inteiro. Martin Scorsese consegue manter essa sensação através de pequenos e sutis detalhes, como, por exemplo, na cena em que uma das internadas pede um copo d’água e, ao tomar, o copo não está em sua mão. Ela apenas faz o movimento de beber água, mas não segura nada. Isso envolve o espectador no clima de loucura que o roteiro sugere.

O resto, só assistindo para entender a sutileza e genialidade que Scorsese mostra novamente. Bravo, Scorsese, bravo. Obrigado por me proporcionar essas duas horas e dezoito minutos. E duas vezes.

Nota: O filme é baseado no livro “Paciente 67″, de Dennis Lehane.

Ilha do Medo (Shutter Island): 2010, EUA. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley. Roteiro: Laeta Kalogridis. Duração: 138 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Paulo do Valle [8] Ronnie Romanini [9.5]

Média: [9.2]


Ações

Informação

4 respostas

16 03 2010
Paulo do Valle

Muito bom mesmo. Filme para se ver duas vezes, sem dúvida!

16 03 2010
Mari

Filme brilhante, assisti duas vezes tb. Achei que eu tava maluca a respeito do copo invisível (e intacto) da mulher, que bom que mais alguém notou. Na segunda vez dá pra notar bem as ‘dicas’ do mistério que gira em torno do filme. :)

1 04 2010
ouseudinheirodevolta

Eu fui a única que assisti uma vez só?! hehe

Definitivamente é um filme pra assistir várias vezes, são muitas pistas deixadas no meio da história. Excelente! Gostei muito da crítica Rodrigo. Da pra lembrar algumas coisas das aulas do Pablo. Virei mais vezes aqui. :D

24 09 2010
NOEMY

Vi duas vezes o filme!! Não sei qual achei a mais interessante: a primeira com todo o suspense e curiosidade que a história me proporcionou ou a segunda, sob outro ponto de vista, ligando fatos às suas causas reais.
A cena do copo, que não estava na mão da paciente, nos faz duvidar de nossa percepção e nos sentirmos também loucos e alucinantes!! Se essa foi realmente a proposta de Scorsese, achei a idéia fenomenal… te põe participando de alguma maneira da história…. loucura,né? adorei!! Adorei também o texto de Rodrigo!

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