“Ilha do Medo” – simplesmente sensacional

16 03 2010

Martin Scorsese apresenta um suspense psicológico que envolve do início ao fim, com ótima atuação de DiCaprio

Por Rodrigo Gianesi

Fui assistir o mais novo filme de Martin Scorsese sexta-feira. E fui assistí-lo novamente hoje para confirmar minhas primeiríssimas impressões: que filme fantástico. “Ilha do Medo” é um suspense psicológico que aflige desde a primeira seqüencia até o surgimento dos créditos finais. No início do filme, já podemos perceber a tensão que roda em torno do protagonista do filme, Teddy (Leonardo DiCaprio), um detetive federal que vive em tortura devido à morte de sua esposa em um incêndio proposital. Sua primeira fala é “controle-se, Teddy”, enquanto ele passa mal em um navio que está o levando para Shutter Island, uma ilha que serve como prisão de criminosos psicologicamente perturbados.

Teddy é enviado à Shutter Island para investigar o desaparecimento de uma das prisioneiras (ou “pacientes”, como o Dr. Cawley (Ben Kingsley) prefere chamar), condenada por ter matado seus três filhos. Enquanto Teddy e seu novo parceiro, Chuck (Mark Ruffalo), se aproximam da ilha em um clima frio e misterioso, a trilha sonora ajuda a criar toda a tensão que o diretor quis passar. A tensão se estende até o momento que os agentes chegam aos portões da instituição, quando estes se abrem causando uma contradição interessante à todo o clima criado por Scorsese e pela direção de arte.

A fotografia do filme é impecável. Planos maravilhosos passam exatamente a sensação que o roteiro pede. Desde a já comentada sombria seqüência de abertura até detalhes como a sala escura com apenas um foco de luz no telefonista ou a marcante (e, talvez, repugnante) imagem de milhares de ratos cobrindo uma enorme rocha à beira do mar mostram o enorme talento do diretor de fotografia, Robert Richardson (que também fez as belas fotografias de “Bastardos Inglórios“, “Kill Bill“, entre outros).

DiCaprio vive um personagem intenso e perturbado

A atuação de Leonardo DiCaprio também é fantástica. O ator é bem eficiente e convincente como o intenso Teddy Daniels. Personagem este que deixa suas características bem claras: inconstante, violento, perturbado e com um forte (e exagerado) apego ao passado. Podemos perceber isso com seus constantes sonhos relacionados à sua falecida mulher e o fato de ele sempre usar uma gravata, que ele revela achar horrível, simplesmente pelo fato de ser um presente dado por ela. Apesar de Teddy se mostrar sempre como um homem forte, ele é, desde o começo do filme, muito vulnerável e frágil na ilha, sendo constantemente guiado e tratado pelos outros lá presentes.

Como já disse antes, o clima tenso se estende pelo longa inteiro. Martin Scorsese consegue manter essa sensação através de pequenos e sutis detalhes, como, por exemplo, na cena em que uma das internadas pede um copo d’água e, ao tomar, o copo não está em sua mão. Ela apenas faz o movimento de beber água, mas não segura nada. Isso envolve o espectador no clima de loucura que o roteiro sugere.

O resto, só assistindo para entender a sutileza e genialidade que Scorsese mostra novamente. Bravo, Scorsese, bravo. Obrigado por me proporcionar essas duas horas e dezoito minutos. E duas vezes.

Nota: O filme é baseado no livro “Paciente 67″, de Dennis Lehane.

Ilha do Medo (Shutter Island): 2010, EUA. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley. Roteiro: Laeta Kalogridis. Duração: 138 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Paulo do Valle [8] Ronnie Romanini [9.5]

Média: [9.2]





Amor Sem Escalas: surpreendente

2 02 2010

Jason Reitman surpreende em vários aspectos e faz um belo filme

Por Rodrigo Gianesi

Fui assistir “Amor Sem Escalas” com o mesmo medo que fui assistir “Juno“, do mesmo diretor, Jason Reitman: o medo criar uma expectativa alta demais por tudo que ouvi do filme, e, ao assisti-lo, achar bom, mas não para tanto. Porém, meu medo foi desnecessário, pois vi que o filme merece sim o tanto que falaram dele.

Amor Sem Escalas” me surpreendeu algumas vezes. A primeira delas foi logo no começo do filme. O título traduzido de forma banal (como acontece com muitos filmes por aí…) dá a idéia de que ele é apenas mais uma comédia romântica repleta de clichês, um filminho para sessão da tarde, sei lá. Foi a impressão que eu tive. Vendo o filme, pude perceber que era um filme muito mais profundo do que o título em português sugere.

Anna Kendrick surpreende e se destaca com sua atuação

Minha segunda surpresa foi a Anna Kendrick. A amiga de Bella na saga “Crepúsculo” não aparece muito na história dos vampiros e lobos, portanto sua atuação não é muito notada. Já em “Amor Sem Escalas“, Kendrick tem um papel mais importante, como Natalie, uma das duas mulheres que entram na vida de Ryan Bingham (George Clooney, que dispensa qualquer comentário sobre atuação). A atriz faz uma personagem carismática e que chega a ser, em certas horas, engraçada, mostrando certo talento, algo oculto na sua participação na saga “Crepúsculo“.

Outra surpresa foi o relacionamento amoroso do filme. O casal formado por Ryan e Alex (a bela Vera Farmiga) é um tanto quanto incomum. Nenhum dos dois quer compromisso, quase nunca estão juntos e são praticamente a mesma pessoa, apenas de outro sexo. Nada daquilo que costumamos ver nos filmes “românticozinhos”: uma garota que não tem absolutamente nada a ver com o cara, que acreditam no amor e que conseguem encontrar no outro o que falta em si mesmo, e bla bla bla. Não. Eles são iguais. Eles não querem compromisso. Não dão muita importância para o amor. Quando você lê isso você fica pensando consigo mesmo: COMO O CARA CONSEGUIU FAZER UM CASAL ASSIM? Pois é, conseguiu, e bem.

Uma história boa entre os dois, e que, por incrível que pareça, mostra que o amor pode vencer até os mais céticos no final.  Ou não. Depende de que forma você assiste o filme, depende do seu olhar para ele, e é isso que me fascinou no roteiro vencedor do Globo de Ouro. Roteiro este que rendeu algumas outras surpresas, mas que prefiro não dizer para não estragá-las para os leitores que ainda não viram o filme.

Mas o que eu mais fiquei intrigado com o filme foi o seguinte: não sei se eu fui o único que notei isso pois sou um grande fã de “Friends“, se é viagem minha ou sei lá, mas percebi algumas referências à série no filme. De cabeça, só lembro de duas agora: quando o chefe de Ryan está explicando o software que vai evitar que os funcionários fiquem viajando o tempo inteiro, ele diz “Ninguém mais vai precisar passar o Natal sozinho em Tulsa. Vocês poderão voltar para casa”. Na nona temporada de “Friends“, Chandler (Matthew Perry) tem que passar o natal sozinho por causa do trabalho. E exatamente na cidade de Tulsa, no décimo episódio da temporada, chamado “The One With Christmas in Tulsa“. Em outra cena, o futuro cunhado de Ryan está lendo o livro “The Velveteen Rabbit“.  Este livro é mencionado duas vezes na série, em dois episódios distintos: no sexto episódio da quarta temporada (“The One With the Dirty Girl“), Chandler compra a primeira edição do livro para  a namorada de Joey (Matt LeBlanc). Já na oitava temporada, no sexto episódio (“The One With the Halloween Party“), Monica (Courtney Cox) faz Chandler se vestir de coelho, pois ela acha que ele vai gostar, já que seu livro favorito quando criança era “The Velveteen Rabbit“. Coincidentemente (ou não), todas as referências à série que podemos encontrar no filme são relacionadas ao personagem Chandler Bing, que, dos seis principais de “Friends“, é o que mais tem dificuldades de se relacionar com as pessoas e apresenta um notável medo de compromisso, assim como o protagonista do filme.

George Clooney faz uma boa atuação em um personagem que lembra ele mesmo

Outra coincidência semelhante à essa é o ator escolhido para fazer o papel de Ryan Bingham, e essa coincidência eu sei que não foi apenas eu quem notou, pois meu companheiro de Cinemajestic, Paulo do Valle, comentou sobre isso enquanto eu escrevia. George Clooney, assim como seu personagem, é um solteirão que não quer saber de casar, e se satisfaz saindo com diversas mulheres. Falando em Ryan Bingham, notem seu sobrenome. Bingham. Bingham. Chandler Bing. Não? Viagem demais? Ok, parei.

Enfim, vale a pena ver o filme, por diversos motivos: uma boa direção, um ótimo roteiro, grande elenco, e, mais importante, uma bela mensagem.

Amor Sem Escalas (Up in the Air): 2009, EUA. Direção: Jason Reitman. Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman. Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner. Duração: 109 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [8.0] Paulo do Valle [8.0] Ronnie Romanini [9.0]

Média: [8.3]





Nossos palpites para o Globo de Ouro:

17 01 2010

É isso aí: é hoje a premiação do Globo de Ouro, principal “termômetro” para o Oscar e segundo maior prêmio de cinema, atrás apenas do próprio Oscar.

Aqui vão nossos palpites (ou até torcida em alguns casos hehe) para os premiados:

Melhor filme drama

Rodrigo Gianesi: Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino

Ronnie Romanini: Amor sem Escalas (Up in the Air), de Jason Reitman

Paulo do Valle: Avatar, de James Cameron

Melhor filme musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: (500) Dias com Ela ((500) Days of Summer), de Marc Webb

Ronnie Romanini: Nine, de Rob Marshall

Paulo do Valle: Se Beber Não Case (The Hangover), de Todd Philips

Melhor direção

Rodrigo Gianesi: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: James Cameron, por Avatar

Paulo do Valle: James Cameron, por Avatar

Melhor ator – Drama

Rodrigo Gianesi: George Clooney, em Amor sem Escalas

Ronnie Romanini: George Clooney, em Amor sem Escalas

Paulo do Valle: Morgan Freeman, em Invictus

Melhor atriz – Drama

Rodrigo Gianesi: Sandra Bullock, em  O Lado Cego

Ronnie Romanini: Gabourey Sidibe, em Preciosa

Paulo do Valle: Gabourey Sidibe, em Preciosa

Melhor ator – musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: Robert Downey Jr., em Sherlock Holmes

Ronnie Romanini: Daniel Day-Lewis, em Nine

Paulo do Valle: Robert Downey Jr., em Sherlock Holmes

Melhor atriz – musical ou comédia

Rodrigo Gianesi: Meryl Streep, em Julie & Julia

Ronnie Romanini: Meryl Streep, em Julie & Julia

Paulo do Valle: Meryl Streep, em Julie & Julia

Melhor ator coadjuvante

Rodrigo Gianesi: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Paulo do Valle: Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Melhor atriz coadjuvante

Rodrigo Gianesi: Mo’Nique, em Preciosa

Ronnie Romanini: Vera Farmiga, em Amor sem Escalas

Paulo do Valle: Mo’Nique, em Preciosa

Melhor filme estrangeiro

Rodrigo Gianesi: A Fita Branca (Dass Weisse Band), de Michael Haneke

Ronnie Romanini: A Fita Branca (Dass Weisse Band), de Michael Haneke

Paulo do Valle: Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar

Melhor animação

Rodrigo Gianesi: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Ronnie Romanini: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Paulo do Valle: Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Melhor roteiro

Rodrigo Gianesi: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Ronnie Romanini: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Paulo do Valle: Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Trilha sonora original

Rodrigo Gianesi: James Horner, Avatar

Ronnie Romanini: Karen O, Carter Burwell, Onde Vivem os Monstros

Paulo do Valle: Michael Giacchino, Up – Altas Aventuras

Canção original

Rodrigo Gianesi:I Want to Come Home“, de Everybody’s Fine : Música e letra de Paul McCartney

Ronnie Romanini: The Weary Kind“, de Crazy Heart : Música e letra de Ryan Bingham, T Bone Burnett

Paulo do Valle: I Want to Come Home“, de Everybody’s Fine : Música e letra de Paul McCartney





Pomoção Globo de Ouro 2010!

11 01 2010

Olá, leitores.

Bom, a premiação do Globo de Ouro de 2010 vai ser esse domingo já, então se você não está participando da promoção, corra que você só pode mandar seus palpites até quinta feira, dia 14 de janeiro! Para saber como participar, leia este tópico.

Bom, como prometemos, fizemos uma lista com opções de filme que vocês podem escolher. Aqui vai a lista para ir pensando qual filme vai escolher caso seja o vencedor:

Bom, é isso!

Mandem seus palpites e concorra a um filme em DVD até quinta feira!

Equipe Cinemajestic





Bastardos Inglórios: mais uma genialidade de Quentin Tarantino

11 01 2010

Christoph Waltz se destaca mesmo atuando ao lado de Brad Pitt, no fantástico filme de Tarantino que reescreve a história da ocupação da França pela Alemanha nazista

Por Rodrigo Gianesi

Fui ao cinema alguns meses atrás com uma enorme expectativa para assistir o mais recente filme de Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”. Tinha até medo de deixar minhas expectativas muito altas e acabar me decepcionando. Porém, é Tarantino. Não dá pra se decepcionar com o trabalho dele. O filme tem todas as características básicas e marcantes do diretor: capítulos, diálogos excepcionais, humor seco e sarcástico, ótimas atuações e (muita) violência. Mas mesmo assim, você se surpreende. Ao assistir o filme novamente esses dias, vi que a minha primeira impressão sobre ele estava correta: “Bastardos Inglórios” é fantástico.

O filme mostra um grupo vingativo e violento de soldados judeus americanos que viaja para a França com um único objetivo: matar nazistas. Comandados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), os “Bastardos” espalham o terror entre aqueles que vestem a farda do Terceiro Reich. “Seremos cruéis com os alemães e, através dessa crueldade, eles vão saber quem nós somos. Verão a evidência de nossa crueldade nos corpos estripados, desmembrados e desfigurados dos próprios irmãos… E os alemães vão ficar cansados de nós. Os alemães vão falar de nós. Os alemães terão medo de nós.”. Esta é apenas uma parte do discurso do tenente para seus soldados, antes de partir. E eles conseguem tudo que Aldo “O Apache” diz.

Eli Roth e Brad Pitt fazem os Bastardos mais marcantes; O Judeu Urso e Aldo, o Apache

Além de Aldo Raine, os outros Bastardos também são marcantes. Donny Donowitz (Eli Roth), ou, simplesmente, “O Judeu Urso”, é temido por todos os soldados nazistas pela sua fama de espancá-los até a morte com um taco de beisebol. Hugo Stiglitz (Til Shweiger) matou vários nazistas enquanto era soldado do Terceiro Reich. Após Stiglitz ser preso, os Bastardos o libertaram para “profissionalizá-lo” na arte de matar nazistas. As cenas do grupo misturam violência, suspense e humor refinado.

Paralelamente à história dos Bastardos, o filme mostra a história de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), uma garota que conseguiu escapar do massacre que os nazistas aplicaram em sua família, logo na primeira cena do filme. Esta cena em questão é, na minha opinião, uma das melhores cenas do longa, com o tenso diálogo entre o fazendeiro Perrier LaPadite (Denis Menochet) e o Coronel Hans Landa (Christoph Waltz). Após o assassinato de sua família, Shosanna foge e planeja uma vingança contra os nazistas.

Christoph Waltz mostra uma atuação sensacional como o Coronel Hans Landa

Brad Pitt está, como sempre, impecável em sua atuação. Porém, não é ele quem se destaca mais, graças à Christoph Waltz. O ator austríaco foi um achado (ou um BINGO) de Tarantino. Waltz havia participado de poucos filmes (trabalhou mais em programas de televisão na Alemanha), e mostra uma atuação fantástica em “Bastardos Inglórios”. Waltz consegue despertar raiva, medo e simpatia juntos, criando um personagem diferente e muito forte. As melhores cenas do filme envolvem o austríaco: a seqüência inicial, a conversa dele com Shosanna no restaurante, entre outras. Vendo o filme (e a atuação de Waltz) podemos entender porque Tarantino quase desistiu de fazer o longa, pois não encontrava alguém para fazer o papel do Coronel. Não era fácil, pois o ator precisaria falar quatro línguas (inglês, francês, alemão e italiano) e, além disso, ser um ator expressivo. Ainda bem que Tarantino não desistiu. Acho que, com essa atuação, Waltz merece prêmios de melhor ator coadjuvante, e não duvido que ele leve.

De resto, só vendo o filme para entender. Tarantino consegue reescrever a história de um jeito que nunca imaginamos, e de forma sensacional. O diretor consegue fazer as cenas mais violentas serem visualmente bonitas. Mortes, explosões e tiroteios parecem música, parecem dança. Sinceramente, chega a ser lindo e arrepiar. Ok, não são todas as cenas violentas que são tão bonitas. Os bastardos arrancando os escalpos dos nazistas pode não ser a cena mais bela que você já viu, mas, ao ver um companheiro comendo um sanduíche logo ao lado daquele que arranca um pedaço da cabeça do inimigo torna a cena engraçada.

As cenas de suspense do filme também são memoráveis. Na primeira cena, por exemplo, todos sabem que a família Dreyfus vai morrer. Porém, Tarantino constrói um suspense interminável, com  um diálogo envolvente entre o fazendeiro e o Coronel. Depois, em um ataque dos Bastardos aos nazistas, o Tenente Aldo Raine fala do “Judeu Urso”, diz ao soldado nazista que ele está lá e que ele bate nos inimigos com seu taco de beisebol. Mesmo assim, no caminho do Bastardo para sair do túnel, só o ouvimos batendo com o taco no chão, e ele demora a aparecer. Nós sabemos o que vai acontecer. Nós sabemos o que vamos ver. Mesmo assim, ficamos nervosos por esperar. Tem coisas que só o Tarantino faz…

Combinando com uma trilha sonora ousada e muito adequada, fotografia espetacular, ótimo elenco e roteiro fantástico, “Bastardos Inglórios” é um filme completo, e ouso em dizer que o filme já se tornou meu favorito de Tarantino, e espero, ansiosamente, o prelúdio já anunciado pelo diretor. Parabéns, Quentin Tarantino. Você é um gênio, e prova isso a cada filme.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds): 2009, EUA, Alemanha. Direção: Quentin Tarantino. Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Diane Kruger, Michael Fassbender, Daniel Brühl, Til Shweiger, Gedeon Burkhard. Roteiro: Quentin Tarantino. Duração: 153 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Paulo do Valle [10]

Média Parcial:

[10]





Promoção Globo de Ouro 2010!

22 12 2009

Olá, caros leitores.

O blog Cinemajestic está fazendo uma promoção envolvendo o prêmio do Globo de Ouro de 2010, que ocorrerá no dia 17 de janeiro. Para participar basta apenas comentar no post dos indicados ao prêmio os seus palpites de vencedor em cada categoria. Aquele que acertar mais premiados ganhará um filme em DVD, que poderá ser escolhido dentre uma lista com as opções de prêmios.

No post, não esqueça de colocar seu e-mail, para podermos entrar em contato com o vencedor para pegar os dados e, assim, podermos enviar o prêmio.

Importante: só haverá um vencedor. Ou seja, em caso de empate, usaremos um critério de desempate: a importância dos prêmios que o participante acertar. Se duas ou mais pessoas acertaram o mesmo número de quesitos, o que acertou o mais importante vencerá. Caso os dois acertem o mais importante, leva o que acertou o segundo mais importante, e por aí vai. Segue a ordem de importância definida por nós:

1- Melhor filme – Drama

2- Melhor filme – Comédia / Musical

3- Melhor direção

4- Melhor roteiro

5- Melhor ator – Drama

6- Melhor atriz – Drama

7- Melhor ator – Comédia / Musical

8- Melhor atriz – Comédia / Musical

9- Melhor ator coadjuvante

10- Melhor atriz coadjuvante

11- Melhor filme estrangeiro

12- Melhor animação

13- Melhor trilha sonora original

14- Melhor canção original

Deixe o comentário no post com os indicados, dando seus palpites em todos os quesitos (na ordem acima) e acompanhe o blog para mais informações. Logo divulgaremos as opções de prêmio e o prazo limite de inscrição.

Boa sorte!

Equipe Cinemajestic





Sai a lista de indicados ao Globo de Ouro 2010

15 12 2009

A Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood divulgou hoje, em Beverly Hills, a lista de indicados ao Globo de Ouro de 2010. Segue a lista dos indicados em cinema:

_____________________

Melhor filme drama

Avatar, de James Cameron

Guerra ao Terror (The hurt locker), de Kathryn Bigelow

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), de Quentin Tarantino

Preciosa (Precious), de Lee Daniels

Amor sem Escalas (Up in the Air), de Jason Reitman

Melhor filme musical ou comédia

(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer), de Marc Webb

Se Beber Não Case (The Hangover), de Todd Philips

Simplesmente Complicado (It’s Complicated), de Nancy Meyers

Julie & Julia, de Nora Ephron

Nine, de Rob Marshall

Melhor direção

Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror

James Cameron, por Avatar

Clint Eastwood, por Invictus

Jason Reitman, por Amor sem Escalas

Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Melhor ator – Drama

Jeff Bridges, em Crazy heart

George Clooney, em Amor sem Escalas

Colin Firth, em  A Single Man

Morgan Freeman, em Invictus

Tobey Maguire, em Entre Irmãos

Melhor atriz – Drama

Emily Blunt, em The Young Victoria

Sandra Bullock, em  O Lado Cego

Helen Mirren, em The Last Station

Carey Mulligan, em Educação

Gabourey Sidibe, em Preciosa

Melhor ator – musical ou comédia

Matt Damon, em O Desinformante

Daniel Day-Lewis, em Nine

Robert Downey Jr., em Sherlock Holmes

Joseph Gordon-Levitt, em (500) Dias com Ela

Michael Stuhlbarg, em Um Homem Sério

Melhor atriz – musical ou comédia

Sandra Bullock, em A Proposta

Marion Cotillard, em Nine

Julia Roberts, em Duplicidade

Meryl Streep, em Simplesmente Complicado

Meryl Streep, em Julie & Julia

Melhor ator coadjuvante

Matt Damon, em Invictus

Woody Harrelson, em The Messenger

Christopher Plummer, em The Last Station

Stanley Tucci, em Um Olhar do Paraíso

Christoph Waltz, em Bastardos Inglórios

Melhor atriz coadjuvante

Penelope Cruz, em Nine

Vera Farmiga, em Amor sem Escalas

Anna Kendrick, em Amor sem Escalas

Mo’Nique, em Preciosa

Julianne Moore, em A Single Man

Melhor filme estrangeiro

Baaria, de Giuseppe Tornatore

Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar

La Nana, de Sebastián Silva

Um Profeta (Un Prophète), de Jacques Audriard

A Fita Branca (Dass Weisse Band), de Michael Haneke

Melhor animação

Tá Chovendo Hambúrguer (Cloudy with a chance of Meatballs), de Phil Lord e Chris Miller

Coraline, de Henry Selick

O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox), de Wes Anderson

A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog), de John Musker e Ron Clements

Up – Altas Aventuras (Up), de Pete Docter e Bob Peterson

Melhor roteiro

Neill Blomkamp e Terri Tatchell, por Distrito 9

Mark Boal, por Guerra ao Terror

Nancy Meyers, por Simplesmente Complicado

Jason Reitman, por Amor sem Escalas

Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios

Trilha sonora original

Michael Giacchino, Up – Altas Aventuras

Marvin Hamlisch, O Desinformante

James Horner, Avatar

Abel Korzeniowski, A Single Man

Karen O, Carter Burwell, Onde Vivem os Monstros

Canção original

Cinema Italiano“, de Nine : Música e letra de Maury Yeston

I Want to Come Home“, de Everybody’s Fine : Música e letra de Paul McCartney

“I Will See You”, de Avatar : Música de James Horner, Simon Franglen, letra de James Horner, Simon Franglen, Kuk Harrell

The Weary Kind“, de Crazy Heart : Música e letra de Ryan Bingham, T Bone Burnett

Winter”, de Brothers : Música de U2, letra de Bono





Por Uma Vida Menos Ordinária: nada ordinário

9 12 2009

O trio Boyle-Hodge-McGregor se junta novamente para criar uma comédia romântica completamente não-convencional

Por Rodrigo Gianesi

Tenho mania de comprar DVDs de filmes que nunca vi e alguns que eu nunca nem ouvi falar. E muitas vezes me surpreendo com os filmes que compro. Foi assim que eu comprei (e me surpreendi com) o filme “Por Uma Vida Menos Ordinária”, dirigido por Danny Boyle. Assumo que comprei o filme simplesmente por ter sido dirigido pelo diretor de “Trainspotting” e conta com o  protagonista do mesmo filme (e um dos meus atores preferidos), Ewan McGregor. A beleza de Cameron Diaz em seu auge também contribuiu para minha escolha.

O filme é completamente louco, como se pode esperar de mais uma obra que junta o trio Danny Boyle como diretor, John Hodge como roteirista e Ewan McGregor de protagonista (os três trabalharam juntos em “Cova Rasa” (1994) e “Trainspotting” (1996)). Podemos ver isso já na primeira cena dele, que mostra uma reunião no que seria o Departamento de Polícia do Céu, quando o delegado está insatisfeito com o alto número de divórcios que vem acontecendo na Terra. Ele chama então dois anjos e os entrega uma missão de juntar um casal. Caso não conseguissem, não poderiam nem voltar para o Céu.

Grande atuação de Ewan McGregor e beleza de Cameron Diaz marcam ótima comédia romântica de Danny Boyle

O casal em questão é Robert Lewis (Ewan McGregor) e Celine Naville (Cameron Diaz). Robert é um faxineiro que tem como sonho escrever a maior novela trash dos Estados Unidos. Ele vê sua vida desmoronando quando é demitido de seu emprego e, no mesmo dia, é dispensado pela sua namorada. No dia seguinte, Robert, inconformado, vai para a empresa em que ele trabalhava para tentar recuperar seu emprego. Ele ameaça seu antigo chefe com uma arma, e seqüestra sua filha, a bela (e milionária) Celine.

Sem ter a mínima noção de como realizar um seqüestro, o trapalhado Robert é ajudado pela própria Celine, que o diz o que um seqüestrador normalmente faz. Os dois, convivendo juntos, começam a se conhecer e se interessar um pelo outro, enquanto Jackson (Delroy Lindo) e O’Reilly (Holly Hunter), os anjos enviados por Gabriel (Dan Hedaya), tentam fazer os dois se apaixonarem eternamente.

McGregor apresenta mais uma atuação fantástica, enquanto Cameron Diaz, além de uma boa atuação, se mostra extraordinariamente bela neste longa muito engraçado e que, assim como os outros filmes de Danny Boyle, conta com um roteiro muito inusitado e diálogos excepcionais. Uma comédia romântica completamente diferente de qualquer comédia romântica que eu já tinha visto, e vale muito a pena ser vista.

Por Uma Vida Menos Ordinária (A Life Less Ordinary): 1997, Reino Unido, EUA. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Cameron Diaz, Holly Hunter, Delroy Lindo, Dan Hedaya. Roteiro: John Hodge. Duração: 103 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [8] Ronnie Romanini [8]

Média parcial: [8.0]





Moulin Rouge – Amor em Vermelho: a espetacular injustiça

30 11 2009

Uma das melhores obras dos últimos tempos foi praticamente ignorada pela academia em 2002

Por Rodrigo Gianesi

Eu, particularmente, não gostava muito de musicais até assistir “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”. O filme de Baz Luhrmann mudou completamente meu conceito sobre musicais e me deixou mais aberto para esse tipo de filme, que passei a adorar. O filme conta uma das mais belas histórias de amor já vistas no cinema, foge completamente do que se espera de um filme hollywoodiano, com um roteiro quase revolucionário, longe da intenção de agradar a grande massa. O musical foi completamente injustiçado pela Academia no Oscar de 2002, ganhando apenas o prêmio de melhor direção de arte e de melhor figurino. Perdeu o prêmio de melhor filme para “Uma Mente Brilhante”, filme mais fácil de ser “digerido” pela grande massa por ser mais convencional e conservador, e nem sequer concorreu à melhor trilha sonora, canção original (uma triste injustiça com a maravilhosa “Come What May”) e direção.

"Spetacular, Spetacular"

Moulin Rouge” conta a história de Christian (Ewan McGregor), um poeta boêmio que acredita, acima de tudo, no amor. O poeta se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã do Moulin Rouge, um clube noturno e bordel de Paris. Como qualquer boa história amor que se preze, os dois enfrentam obstáculos para poderem ficar juntos. Harold Zidler (Jim Broadbent), dono do Moulin Rouge, recebe o patrocínio de um duque (Richard Roxburgh) para produzir uma peça teatral no clube (“Spetacular, Spetacular“, escrita por Christian e estrelada por Satine). A condição que o duque impõe, porém, é que Satine seja dele, e apenas dele. Caso contrário, a propriedade do bordel passaria para o Duque. Com esses empecilhos, Christian e Satine têm de esconder seu romance, genialmente inserido disfarçadamente na peça em questão.

Mesmo com o grande número de músicas no filme, elas não o tornam cansativo, como acontece com muitos musicais. A grande sacada de Luhrmann foi de utilizar obras que variam entre músicas atuais e obras mais antigas ao invés de apenas compor novas canções, com exceção de poucas, como a já mencionada “Come What May”.

Química entre Nicole Kidman e Ewan McGregor é perfeita

A sintonia entre McGregor e Nicole Kidman é inexplicável. Em nenhuma cena a relação dos dois parece forçada ou piegas. As cenas do casal são muito naturais, apesar da intensidade dos sentimentos envolvidos nelas. Grande destaque para a maravilhosa (e triste) cena final do filme. A frase de Christian, “Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão pelo amor”, dirigida à Satine, deitada no chão, rebaixada e chorando, arrepia até as pessoas mais insensíveis.

Além das ótimas atuações de Ewan McGregor e Nicole Kidman (que, mais uma vez, se mostraram grandes atores, versáteis e intensos), os donos de papéis secundários também se destacam. Broadbent encarna fervorosamente o papel do cafetão, enquanto Roxburgh faz uma ótima atuação, deixando o ódio e o ciúme do Duque bem claro e de um jeito que, de certa forma, é ridículo.
Um roteiro com reviravoltas emocionantes, repleto de canções marcantes e que transborda sentimentos, desde a paixão até o ódio e o desprezo, fazem este trabalho de Baz Luhrmann uma das mais espetaculares produções dos últimos tempos. Uma prova de que ainda existe criatividade e genialidade na indústria de Hollywood.

Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!): 2001, Austrália, EUA. Direção: Baz Luhrmann. Elenco: Ewan McGregor, Nicole Kidman, Jim Broadbent, Richard Roxburgh. Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce. Duração: 127 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Ronnie Romanini [10]

Média parcial: [10]





Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças: impossível esquecer

23 11 2009

Com um roteiro espetacular e atuações fantásticas, o filme mostra as lembranças que um homem pensa que quer esquecer

Por Rodrigo Gianesi

Você apagaria alguém e qualquer coisa que você viveu ao lado dessa pessoa de sua memória? O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças explora essa pergunta. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formam um casal de pessoas que não têm nada em comum, algo normal em vários filmes de romance. Porém, a abordagem deste filme dirigido por Michel Gondry é completamente diferente e intrigante.

Joel é tímido e metódico, enquanto Clementine é extrovertida, diferente e completamente impulsiva. Essa sua última característica a leva a, após terminar seu relacionamento com Joel, procurar a Lacuna INC., uma clínica que oferece um tratamento peculiar: apagar pessoas da mente de outras. Ao descobrir que sua ex-namorada o apagou de sua memória, Joel vê o mundo desabar, e, em um momento de desespero, procura o mesmo tratamento. Durante o procedimento, no qual os técnicos vasculham o cérebro do paciente apagando memória por memória, Joel vê todos os momentos em que passou ao lado de sua namorada, se arrepende de sua escolha e tenta voltar atrás, se escondendo em lugares remotos de suas lembranças.

Filme conta com grande elenco, com Jim Carrey, Kate Winslet, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood

Em mais um roteiro alucinante de Charlie Kaufman (que escreveu também Quero Ser John Malkovich), o filme vai e volta no tempo através das lembranças de Joel com interpretações fantásticas, não só dos protagonistas Jim Carrey (que provou, mais uma vez, que não é apenas um ótimo comediante, mas um ator excelente e versátil) e Kate Winslet, mas também boas atuações de todos os atores que compõem esse ótimo elenco, que conta com Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é uma história linda que mostra que, não importa o que você faça, você não pode esquecer um amor. Ao ver o filme me lembro de uma frase de Nelson Rodrigues: “Todo amor é eterno. Se acabou, não era amor”.

Antes de responder a pergunta feita no começo deste texto, assista ao filme, e você perceberá que, não importa quão dolorosa tenha sido a separação, um amor nunca deve ser esquecido.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind): 2004, EUA. Direção: Michel Gondry. Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst, Elijah Wood. Roteiro: Charlie Kaufman, Michel Gondry, Pierre Bismuth. Duração: 108 minutos.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Ronnie Romanini [10] Paulo do Valle [9.5]

Nossa média: [9.8]








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