Por Uma Vida Menos Ordinária: nada ordinário

9 12 2009

O trio Boyle-Hodge-McGregor se junta novamente para criar uma comédia romântica completamente não-convencional

Por Rodrigo Gianesi

Tenho mania de comprar DVDs de filmes que nunca vi e alguns que eu nunca nem ouvi falar. E muitas vezes me surpreendo com os filmes que compro. Foi assim que eu comprei (e me surpreendi com) o filme “Por Uma Vida Menos Ordinária”, dirigido por Danny Boyle. Assumo que comprei o filme simplesmente por ter sido dirigido pelo diretor de “Trainspotting” e conta com o  protagonista do mesmo filme (e um dos meus atores preferidos), Ewan McGregor. A beleza de Cameron Diaz em seu auge também contribuiu para minha escolha.

O filme é completamente louco, como se pode esperar de mais uma obra que junta o trio Danny Boyle como diretor, John Hodge como roteirista e Ewan McGregor de protagonista (os três trabalharam juntos em “Cova Rasa” (1994) e “Trainspotting” (1996)). Podemos ver isso já na primeira cena dele, que mostra uma reunião no que seria o Departamento de Polícia do Céu, quando o delegado está insatisfeito com o alto número de divórcios que vem acontecendo na Terra. Ele chama então dois anjos e os entrega uma missão de juntar um casal. Caso não conseguissem, não poderiam nem voltar para o Céu.

Grande atuação de Ewan McGregor e beleza de Cameron Diaz marcam ótima comédia romântica de Danny Boyle

O casal em questão é Robert Lewis (Ewan McGregor) e Celine Naville (Cameron Diaz). Robert é um faxineiro que tem como sonho escrever a maior novela trash dos Estados Unidos. Ele vê sua vida desmoronando quando é demitido de seu emprego e, no mesmo dia, é dispensado pela sua namorada. No dia seguinte, Robert, inconformado, vai para a empresa em que ele trabalhava para tentar recuperar seu emprego. Ele ameaça seu antigo chefe com uma arma, e seqüestra sua filha, a bela (e milionária) Celine.

Sem ter a mínima noção de como realizar um seqüestro, o trapalhado Robert é ajudado pela própria Celine, que o diz o que um seqüestrador normalmente faz. Os dois, convivendo juntos, começam a se conhecer e se interessar um pelo outro, enquanto Jackson (Delroy Lindo) e O’Reilly (Holly Hunter), os anjos enviados por Gabriel (Dan Hedaya), tentam fazer os dois se apaixonarem eternamente.

McGregor apresenta mais uma atuação fantástica, enquanto Cameron Diaz, além de uma boa atuação, se mostra extraordinariamente bela neste longa muito engraçado e que, assim como os outros filmes de Danny Boyle, conta com um roteiro muito inusitado e diálogos excepcionais. Uma comédia romântica completamente diferente de qualquer comédia romântica que eu já tinha visto, e vale muito a pena ser vista.

Por Uma Vida Menos Ordinária (A Life Less Ordinary): 1997, Reino Unido, EUA. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Cameron Diaz, Holly Hunter, Delroy Lindo, Dan Hedaya. Roteiro: John Hodge. Duração: 103 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [8] Ronnie Romanini [8]

Média parcial: [8.0]





Trainspotting – Sem Limites: espetacularmente insano

17 11 2009

Considerado um dos melhores filmes britânicos de todos os tempos, Trainspotting – Sem Limites mostra  a vida de Mark Renton e seus amigos envolvidos com drogas em Edimburgo

Por Rodrigo Gianesi

Baseado no romance de Irvine Welsh, Trainspotting – Sem Limites é uma descarga de adrenalina misturada com uma viagem intensa pela cabeça perturbada do jovem escocês Mark Renton (Ewan McGregor) e seus amigos, mostrando suas vidas imersas no mundo da heroína, como uma fuga do cotidiano monótono da cidade de Edimburgo.

Dirigido por Danny Boyle, o filme já começa com uma seqüencia fantástica: Renton e seu amigo Spud (Ewen Bremner) correm fugindo da polícia enquanto se ouve um monólogo sensacional de Renton: “…escolha seu futuro, escolha a vida. Eu escolhi não escolher a vida. Eu escolhi outra coisa. Os motivos? Não existem motivos. Pra que você precisa de motivos quando você tem heroína?”.

Cenas transitam entre a realidade e as alucinações de Renton

Boyle explora as alucinações de Mark descritas no livro de Welsh com muita fidelidade, mas mais do que isso, passa uma mensagem completamente adversa ao que se vê normalmente no cinema: não é um filme moralista, que apenas mostra que as drogas vão destruir sua vida. Pelo contrário, Mark tem uma vida relativamente feliz quando está envolvido com heroína. Seu pesadelo aparece apenas quando ele tenta parar de usar, o que acontece mais de uma vez no filme, sem sucesso.

Boyle, no entanto, peca em deixar algumas passagens do livro de fora do filme, e até alguns personagens. Porém, mesmo para quem leu o livro, o filme continua sendo uma adaptação muito próxima e bem feita. Welsh, o autor do livro, até faz uma ponta no filme no papel de Mikey Forrester, um traficante ocasional.

Diálogos interessantes, cenas que transitam entre o real e as alucinações, idéias não convencionais, uma dose de humor equilibrada com uma dose de drama, brilhantes atuações de Ewan McGregor e Robert Carlyle (no papel do psicopata Francis Begbie) e uma trilha sonora fantástica que conta com Iggy Pop e Underworld fazem deste filme essencial de ser visto por qualquer apreciador da sétima arte.

Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting): 1996, Reino Unido. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Robert Carlyle, Jonny Lee Miller, Kelly Macdonald. Roteiro: Irvine Welsh, John Hodge. Duração: 94 min.

Baseado no livro Trainspotting, de Irvine Welsh.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] ; Ronnie Romanini [8.5] ; Paulo do Valle [8.5]

Nossa Média: [9.0]








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