Atividade Paranormal: O barato do medo

11 12 2009

Após assistir ao filme, dormir vai ser um desafio

Por Paulo do Valle

Admito que não sou muito fã de pagar para tomar susto, mas desde quando vi pela primeira vez o trailer de “Atividade Paranormal” fiquei instigado e curioso para ver o filme. Achei interessante a forma em que eles abordaram o público mostrando cenas reais (até onde sabemos) de pessoas se assustando ao assistir pela primeira vez no cinema.

Após sua estréia em território nacional, comecei a ouvir algumas críticas de pessoas que assistiram ao filme e acharam fraco, se tratando de um filme de terror, com poucos sustos. Logo pensei que tudo então se passava por uma excelente jogada de marketing da produção do filme, que (pasmem) teve um orçamento de 15 mil dólares! Não só recuperaram o investimento, o filme rendeu mais de 62,5 milhões de dólares só nos EUA. Mas hoje eu descobri que SIM, “Atividade Paranormal” é aterrorizante.

Posso gastar apenas algumas linhas para explicar a historia do filme, por se tratar de um “mockumentary“, que são filmes que simulam acontecimentos reais com uma única câmera (vide “Bruxa de Blair” e “REC”). Todo o desenvolvimento do enredo acontece em um cenário só: a residência do casal Katie Featherson e Micah Sloat (os atores usaram seus nomes reais no filme). Katie, desde a infância, se sente perseguida por espíritos que à assombram sempre durante a madrugada. Para acabar com essa historia e descobrir o que realmente acontece, Micah resolve documentar em vídeo tudo o que acontece dentro da casa, principalmente as horas em que o casal dorme. Não preciso dizer mais nada. A cada dia que se passa, a situação na casa piora e vai ficando cada vez mais evidente a presença de forças malignas por lá.

O que choca no filme é sensação de realidade passada o tempo todo ( a começar pelos atores usarem o próprio nome). Em nenhum momento você se sente assistindo a um filme de terror, e sim um documentário real e horripilante, que te faz pensar até onde pode ir a paranóia ou crença de uma pessoa, e o que realmente é real. A presença de uma força maligna na casa é totalmente confirmada por barulhos e imagens captados pela câmera durante a noite e também por fatos ocorridos por motivos de uma força maior. Sem apelar muito para imagens de monstros e os clichês de um filme de terror Atividade apela mais para o oculto, o invisível, mas que apavora muito mais.

Rodado em 2007, o filme só ganhou seu espaço na mídia agora, após ganhar alguns prêmios em festivais de cinema independente.

Já podendo ser considerado histórico Atividade paranormal deixa de ser uma promessa e se torna de fato um filme assustador.

Atividade Paranormal (Paranormal activity), 2007, EUA. Direção: Oren Peli Elenco: Katie Featherson, Micah Sloat. Roteiro: Oren Peli. Duração: 88 min.

Notas:

Paulo do Valle [7.5] Ronnie Romanini [5.5]

Média parcial: [6.5]





Moulin Rouge – Amor em Vermelho: a espetacular injustiça

30 11 2009

Uma das melhores obras dos últimos tempos foi praticamente ignorada pela academia em 2002

Por Rodrigo Gianesi

Eu, particularmente, não gostava muito de musicais até assistir “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”. O filme de Baz Luhrmann mudou completamente meu conceito sobre musicais e me deixou mais aberto para esse tipo de filme, que passei a adorar. O filme conta uma das mais belas histórias de amor já vistas no cinema, foge completamente do que se espera de um filme hollywoodiano, com um roteiro quase revolucionário, longe da intenção de agradar a grande massa. O musical foi completamente injustiçado pela Academia no Oscar de 2002, ganhando apenas o prêmio de melhor direção de arte e de melhor figurino. Perdeu o prêmio de melhor filme para “Uma Mente Brilhante”, filme mais fácil de ser “digerido” pela grande massa por ser mais convencional e conservador, e nem sequer concorreu à melhor trilha sonora, canção original (uma triste injustiça com a maravilhosa “Come What May”) e direção.

"Spetacular, Spetacular"

Moulin Rouge” conta a história de Christian (Ewan McGregor), um poeta boêmio que acredita, acima de tudo, no amor. O poeta se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã do Moulin Rouge, um clube noturno e bordel de Paris. Como qualquer boa história amor que se preze, os dois enfrentam obstáculos para poderem ficar juntos. Harold Zidler (Jim Broadbent), dono do Moulin Rouge, recebe o patrocínio de um duque (Richard Roxburgh) para produzir uma peça teatral no clube (“Spetacular, Spetacular“, escrita por Christian e estrelada por Satine). A condição que o duque impõe, porém, é que Satine seja dele, e apenas dele. Caso contrário, a propriedade do bordel passaria para o Duque. Com esses empecilhos, Christian e Satine têm de esconder seu romance, genialmente inserido disfarçadamente na peça em questão.

Mesmo com o grande número de músicas no filme, elas não o tornam cansativo, como acontece com muitos musicais. A grande sacada de Luhrmann foi de utilizar obras que variam entre músicas atuais e obras mais antigas ao invés de apenas compor novas canções, com exceção de poucas, como a já mencionada “Come What May”.

Química entre Nicole Kidman e Ewan McGregor é perfeita

A sintonia entre McGregor e Nicole Kidman é inexplicável. Em nenhuma cena a relação dos dois parece forçada ou piegas. As cenas do casal são muito naturais, apesar da intensidade dos sentimentos envolvidos nelas. Grande destaque para a maravilhosa (e triste) cena final do filme. A frase de Christian, “Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão pelo amor”, dirigida à Satine, deitada no chão, rebaixada e chorando, arrepia até as pessoas mais insensíveis.

Além das ótimas atuações de Ewan McGregor e Nicole Kidman (que, mais uma vez, se mostraram grandes atores, versáteis e intensos), os donos de papéis secundários também se destacam. Broadbent encarna fervorosamente o papel do cafetão, enquanto Roxburgh faz uma ótima atuação, deixando o ódio e o ciúme do Duque bem claro e de um jeito que, de certa forma, é ridículo.
Um roteiro com reviravoltas emocionantes, repleto de canções marcantes e que transborda sentimentos, desde a paixão até o ódio e o desprezo, fazem este trabalho de Baz Luhrmann uma das mais espetaculares produções dos últimos tempos. Uma prova de que ainda existe criatividade e genialidade na indústria de Hollywood.

Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!): 2001, Austrália, EUA. Direção: Baz Luhrmann. Elenco: Ewan McGregor, Nicole Kidman, Jim Broadbent, Richard Roxburgh. Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce. Duração: 127 min.

Notas:

Rodrigo Gianesi [10] Ronnie Romanini [10]

Média parcial: [10]








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